FOTO: JANDER ROBSON

Uma quantia de R$ 205 mil em espécie foi encontrada na manhã desta quinta-feira (25) na casa de um servidor do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O dinheiro foi apreendido durante a operação Arquimedes, deflagrada pela Polícia Federal, com objetivo de identificar novos focos de desmatamentos na região Amazônica.

O titular da Delegacia de Repreensão Contra Crimes ao Meio Ambiente e Patrimônio Histórico, Caio Cesar, afirmou que o servidor, cujo nome não foi divulgado, tinha uma função bastante específica no órgão e utilizava das suas atribuições profissionais para favorecer madeireiros corruptos. O servidor foi preso hoje.

“Encontramos R$ 205 mil, em espécie, na residência de um servidor do Ipaam. Dentro do órgão, ele exercia uma função específica e importante. Os processos de licenciamento de madeira passavam por ele para serem liberados. Neste momento, o servidor utilizava das suas atividades para barganhar com o empresário e ganhar dinheiro”, explicou o delegado.

As investigações da operação começaram em 2017, quando quase 3 mil quilômetros de madeira ilegal foi apreendida no Porto de Manaus. Segundo o delegado, durante as diligências, foi verificado que servidores públicos, engenheiros e empresários estavam envolvidos no esquema de corrupção.

“A corrupção ocorria em vários pontos, mas os servidores faziam com que os madeireiros passassem na fila em relação ao licenciamento, além de oferecer facilidades na avaliação do processo, com obtenção de informações privilegiadas de fiscalizações que iriam acontecer. Por conta desses servidores, os madeireiros sabiam  quando iriam acontecer as fiscalizações. Propinas eram pagas de formas diferentes”, disse o delegado.

Conforme o Portal A Crítica apurou, 19 mandados de prisão foram cumpridos no âmbito da operação Arquimedes até o final da tarde desta quinta-feira. O Ipaam afirmou, em nota enviada pela assessoria de imprensa, que está colaborando com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF), cedendo toda documentação solicitada pela investigação.

No comunicado, o Ipaam destacou ainda que a investigação originária da operação Arquimedes é relativa a ações ocorridas em administrações passadas.

Durante a operação, o ex-presidente do Ibama no Amazonas, Leland Barroso, foi preso. De acordo com o procurador do Ministério Público Federal do Amazonas, Leonardo Galiano, o ex-gestor do órgão público interferia nas ações do Ibama.

“Em 2017, quando aquela quantidade de madeira foi apreendida, estranhamos que Leland apareceu um “minuto depois” do ocorrido. Descobrimos que houve interferência dele para que o Ibama não fizesse essa fiscalização. Ele transferia a competência do Ibama para o Ipaam, segundo provas e  testemunhas”, explicou.

Segundo a PF, a participação do ex-presidente do Ibama no esquema só é comprovada no quesito de interferência. Até o momento, não existe provas que Leland recebeu propina dos empresários.

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