Após 39 dias de greve, o reajuste salarial dos profissionais da educação do Amazonas foi aprovado em 4,73%, nesta quinta-feira (23), na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). A conquista da classe teve participação assídua do deputado estadual Wilker Barreto (Podemos), que se comprometeu em continuar acompanhando a Comissão Especial para garantir que as mudanças anunciadas pelo Governo do Estado, na nova proposta votada, possam ser garantidas.

Em pronunciamento da tribuna da Aleam, Wilker Barreto questionou as medidas adotadas pelo Governo de enfrentamento à crise. Segundo o parlamentar, faltou diálogo e sensibilidade por parte do governador e do vice. Diante disso, a Assembleia tomou para si a responsabilidade de mediar a retomada da negociação e obteve, finalmente, um acordo. Após a aprovação, os professores irão reunir em assembleia para discutir a proposta e dar fim, ou não, a greve.

“Qual era a dificuldade do governo em sentar para conversar?”, indagou Wilker ao continuar. “Precisávamos chegar a mais de um mês de greve, porque o Governo tinha uma estratégia: matar os professores no cansaço. Se não fosse o trabalho da Aleam para retomar o caminho da conversa, nenhum acordo teria sido feito. O Governo, definitivamente, quis passar para a sociedade que o movimento era político e não técnico. Entretanto, quando a Aleam reatou a conversa com os trabalhadores da educação foi um duro golpe no Governo quanto aos argumentos utilizados”, destacou o parlamentar.

Ainda segundo Wilker, o movimento de greve dos professores deixou uma grande lição ao Governo, que deve ficar atento quanto ao relacionamento com a sociedade e com as classes em geral, principalmente quando a pauta tratada foi reivindicações de categorias. Após todos esses fatos, fica um grande exemplo para o Governo, que ele não pode governar dessa forma, achar que é máquina e atropelar na força. “Se não, corre o risco de nos próximos anos ser vaiado onde for, como já ocorreu nas andanças pelo interior”, destacou Barreto.

A assembleia do Sindicato dos Professores e Pedagogos de Manaus (Asprom Sindical) deve acontecer na sexta-feira (24). Para o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam), o planejamento é para sábado, dia 25.

Presente em todo o movimento, a presidente do Sinteam, Ana Cristina Rodrigues, um total de 40 municípios participaram da greve, somando mais de 22 mil trabalhadores. A professora ainda destacou que durante os dias de manifestação, houve tentativa de criminalizar a classe.

“O Governador, em meio a greve, encerrou a mesa de negociação, o que causou transtorno e incômodo. Assim, recorremos à Casa Legislativa, que aceitou fazer a interlocução. Contamos com o apoio de alguns deputados, um deles o Wilker Barreto, e estamos avançando, mas ainda não está a contento. Por isso, fizemos o compromisso da Comissão. O tratamento do Governo durante toda a greve foi ruim, e recebemos denúncias de assédio moral, além de várias tentativas de criminalizar a ação. Passamos de forma ordeira”, frisou Ana.

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