Cantora Wendy Lady Oha lançará material autoral em 2021

A história da artista será apresentada nesta terça-feira (15/12), no talk show ‘Quem é você na fila do pão?’

Wendy Lady Oha e o violonista Igor Victor Teixeira da Silva interpretaram “Rainha das Águas”, de Paulinho Du Carmo, e “Balada de Gisberta”, de Pedro Abrunhosa - Foto: Guilherme Gil

Wendy Lady Oha, que se apresenta artisticamente como “cantora da Amazônia”, irá lançar composições próprias em 2021 nas plataformas musicais e fazer apresentações virtuais e presenciais para divulgá-las. “Quando eu me apresento em algum lugar ou em alguma live, eu não posso dizer que sou cantora do Amazonas, porque, apesar de eu viver aqui desde 1999, eu sou de Almerim, no Pará”, explica a artista, que já está criando um novo repertório. “Estou na fase de estudo para composições e também estudando as quatro já compostas para mim por um amigo (Paulinho Du Carmo) que é músico, no Rio de Janeiro: ‘Razão pra Viver’, ‘Santa Luzia’, ‘A Caminhada’ e ‘Rainha das Águas’”.

Ela explica que a canção ‘Santa Luzia’ fala do seu retorno para Manaus, depois que ela decidiu sair do Rio de Janeiro, onde morou por quatro anos, e voltar para Manaus para cuidar do pai que estava doente. “Foi quando conheci a igreja de Santa Luzia, na Comunidade Agrícola Fé em Deus, no km 21, no Ramal do Pau-Rosa, que visito nos fins de semana, e onde passei a cantar nos domingos, até como forma de agradecimento pela acolhida que recebi quando cheguei na cidade”, diz Wendy, que mora na Colônia Santo Antônio, na zona norte de Manaus.

Afora essas canções, a intérprete diz que está desenvolvendo um repertório MPB mais moderno. “Eu quero fazer uma MPB mais pop, que não seja só emoção, que seja mais dançante também”, ressaltou Wendy, que é uma das participantes do projeto cultural “Quem é você na fila do Pão? – Edição Norte-Sul/Leste-Oeste”, concebido pelo ator e diretor Paulo Queiroz e contemplado na Lei Aldir Blanc, no edital do Prêmio Manaus de Conexões Culturais 2020, na categoria Teatro, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) da Prefeitura de Manaus.

Wendy disse que já ganhou um concurso musical em 2009 com um samba sobre políticas públicas que ela compôs para participar do Festival da Semana da Cidadania da Pastoral da Juventude, realizado no Largo do Passarinho, no Monte das Oliveiras, zona norte.

Estreia – No projeto, há um programa de entrevistas, também intitulado “Quem é você na fila do Pão?”, apresentado pela personagem Filó, a Básica, interpretada por Paulo Queiroz. Wendy participa da entrevista de estreia do programa, no dia 15 de dezembro, nas seguintes plataformas: Instagram (@quemevoce.nafiladopao), Facebook (Quem é você na fila do pão?) e YouTube (Quem é você na fila do pão?).

O projeto selecionou artistas de 11 áreas, e Wendy representa a da Música. As demais áreas contempladas pelo projeto são: Artes Visuais, Audiovisual, Cultura Infância, Dança, Espaços Culturais, Hip-Hop, Literatura, Manifestações Culturais, Teatro e Circo. Os principais critérios de seleção dos artistas foram: ser artista, desenvolver atividades culturais relevantes, não ter ainda visibilidade na mídia para si ou para a atividade que desenvolve e ser oriundo de bairros populosos das zonas Norte, Sul, Leste e Oeste, de áreas não privilegiadas, onde há pouco incentivo cultural oficial e acesso à Cultura e, prioritariamente, negros, mulheres, indígenas e pessoas LGBTQI+.

Por ser transexual, Wendy conta que é engajada nos movimentos sociais e que sempre que pode desenvolve ou apoia atividades que combatam o preconceito e que promovam os direitos da população LGBTQI+.

Histórico – A artista, que começou a carreira em 1999, participando de concursos e bandas em Manaus, é pouco conhecida no Amazonas, porém possui bastante visibilidade no sul do país, através das redes sociais, tendo participações em lives de artistas de destaque, como o músico e ator Affonsinho Heliodoro, que participou da minissérie “JK” da Rede Globo e é co-fundador da banda Hanoi Hanoi. Wendy foi a convidada especial na live que o artista fez no dia 27 de setembro deste ano na sua página do Instagram (@affosinhoheliodoro).

Wendy também participou de várias lives da sambista Teresa Cristina, que, aos domingos, fazia apresentações ao vivo pela internet para o público LGBTQI+. “Neste ano de 2020, através da lives dela, eu reacendi o meu sonho de cantar, pois eu achava que trabalharia numa repartição pública até os meus 80 anos, gravaria um disco, faria um show para cinco pessoas e morreria feliz. Mas, não. O tempo determinou que o meu retorno é agora”, ressaltou a cantora, que estava afastada dos palcos desde 2009, devido a uma experiência negativa que teve quando participou de uma banda de baile que fazia shows em Manaus e no interior. “O motivo da saída foi assédio moral, por parte da pessoa que tomava conta da banda, e assédio sexual, por parte dos contratantes de show”, explicou.

Mas nem tudo foi ruim na carreira de Wendy, que, acabou por ser tornar uma profissional multifacetada. “Me formei cabeleireira e com essa profissão paguei minha faculdade em Design de Moda e a pós-graduação em Moda e Styling. Porém, o sonho de cantora nunca morreu em mim. E, agora, estou começando a construir uma nova história”, destacou.

Parceiro musical – Atualmente, Wendy Lady Oha desenvolve um trabalho com o seu parceiro musical, o violonista Igor Victor Teixeira da Silva, com quem ela se apresentou nas gravações do talk show “Quem é você na fila do pão?”. Nas gravações do programa, a dupla interpretou a canção de ancestralidade “Rainha das Águas”, de autoria de Paulinho Du Carmo, e “Balada de Gisberta”, do cantor e compositor português Pedro Abrunhosa, sobre o caso verídico de assassinato da transexual brasileira na cidade do Porto, por 14 adolescentes, e que fez surgir novas leis em Portugal, principalmente de combate à transfobia e leis em favor da igualdade de gêneros.

Madrinha – Os artistas convidados para participar do projeto foram selecionados e indicados à produção por artistas renomados, constituindo-se um “apadrinhamento artístico”. A madrinha de Wendy é a atriz Francy Júnior, que utiliza o teatro para levar ao público questionamentos sobre as mazelas sociais enfrentadas pela população negra, mulheres e pessoas LGBTQI+.

Francy iniciou aos 14 anos, com a peça “De como revisar o marido Oscar”, de Oraci Gemba, dirigida por Ozi Cordeiro. Em 1993, ingressou no Teatro Experimental da Universidade do Amazonas (Tesau) e trabalhou com o ator e diretor Luiz Vitalli, da companhia Pombal Arte e Espaço Alternativo. No Pombal, Francy atuou como atriz, arte-educadora, formadora e diretora de elenco e assistente de direção.

Em 1998, fundou o grupo de teatro Periférico, com crianças e adolescentes da comunidade Monte Pascoal. Em 2002, atuou como arte-educadora e diretora do grupo de teatro da Casa Mamãe Margarida. Em 2007, levou a formação teatral para dentro dos movimentos de mulheres, com um projeto direcionado para as mulheres, sob a direção geral de Luiz Vitalli. Em 2017, dirigiu o espetáculo “Jesus Nosso de Cada Dia”, com os integrantes do Centro Socioeducativo.

Durante 13 anos, apresentou, com a atriz Lilian Machado, o premiado espetáculo “A Carta”, viajando por diversas cidades brasileiras. No cinema, atuou em filmes de curta-metragem dirigidos por Junior Rodrigues, fez parte do filme “Leco”, de Augusto Gomes. Na TV, participou da minissérie “Transviar, dirigida por Elen Linth e Riane da Eparrei Filmes, e de “Aruanas”, da Rede Globo, dirigida por Estela Renner. Atualmente, atua como professora e prepara-se para produzir um elenco exclusivamente com mulheres.

Equipe técnica do projeto – A equipe técnica do projeto é composta por Paulo Queiroz (direção e intérprete de Filó, a Básica), Narda Telles (produção), Denys Cauper (assistente de produção), Thiago Queiroz (assistente de produção), França Viana (assistente de produção), Alê Ferraz (design e identidade visual), Chamel Flores (cinegrafia, fotografia e edição de imagens), Eugênio Lima (maquiagem), Jonatas Sales (figurinos), Cleide Monteiro (costureira) e Guilherme Gil (assessoria de comunicação).

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