Pacientes que perdem a voz recebem atendimento especializado na FCecon

Foto: Lorena Serrão

Os pacientes que sofrem com alterações na voz decorrentes de câncer recebem acompanhamento especializado na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), por meio de fonoaudiólogos, otorrinolaringologistas e cirurgiões de cabeça e pescoço. Eles trabalham juntos para aumentar as chances de cura e cuidar das sequelas ocasionadas pelo tratamento.

No Dia Mundial da Voz, comemorado nesta sexta-feira (16/04), a fonoaudióloga da Fundação Cecon, Márcia Pastor, explica que o tratamento contra o câncer na região de cabeça e pescoço pode ocasionar a perda da fala, alterar as funções de mastigação e deglutição. Ela diz que é importante adotar cuidados para a manutenção de uma voz saudável e buscar o atendimento médico especializado ao primeiro sinal de problema.

Durante o Dia Mundial da Voz, a Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBFa) e o Sistema de Conselhos de Fonoaudiologia promovem a 16ª edição da campanha Amigos da Voz, que chama a atenção para a relação de identidade e voz no contexto social e disfunções que podem indicar problemas de saúde.

Acompanhamento – Para o paciente do serviço de Fonoaudiologia, Vicente Brito, de 62 anos, foi difícil superar os problemas de saúde em decorrência da perda da voz. Ele conta que perdeu a voz devido ao câncer na região de cabeça e pescoço, após a cirurgia para a retirada total da laringe em 2018, afetando a comunicação com diferentes pessoas e familiares.

“Após a cirurgia ainda fiquei seis meses internado. Passei a me comunicar com minha família por meio de gestos”, disse o paciente, que desde o procedimento cirúrgico, realiza sessões de fonoaudiologia na unidade hospitalar.

Em 2019, Vicente recebeu uma laringe eletrônica doada pela Associação Brasileira de Câncer de Boca e Garganta (ACBG) aos pacientes da Fundação. Durante as sessões, e com o aparelho, o paciente recebia orientações de fonoaudiólogos da Fundação Cecon para manuseio da laringe, o que o ajudou a falar. O aparelho funciona ao ser encostado no pescoço, possibilitando a emissão de uma onda sonora contínua.

“Hoje me sinto realizado e feliz por poder voltar a me comunicar com as pessoas, apesar da discriminação”, celebra Brito.

Tratamento – Segundo Pastor, após o tratamento do câncer de cabeça e pescoço, são observadas desde alterações em graus variados da qualidade vocal até a perda irreversível da voz laríngea (natural), sendo que a alteração encontrada estará em consonância com o tipo de tratamento realizado.

“A maioria dos pacientes atendidos passaram pelo tratamento radioterápico, quimioterápico e/ou cirurgia na região de cabeça e pescoço, os quais podem ocasionar disfonia – alterações na voz – por causa da ressecção de parte ou de toda a laringe, que é o órgão responsável pela voz”, informa Pastor.

Serviço – O serviço de Fonoaudiologia conta com três profissionais, sendo que dois atuam de forma voluntária. O atendimento funciona no ambulatório nas segundas, quartas e sextas-feiras, sendo que nas terças e quintas-feiras são atendidos os pacientes internados, que têm pedidos para acompanhamento pelo setor.

As solicitações para acompanhamento pelo setor são emitidas pelos serviços de Pediatria, Cuidados Paliativos e Terapia da Dor, dentre outros. Os pacientes encaminhados pelo serviço de Cabeça e Pescoço passam por triagem.

Sinais – Quando uma pessoa começa a apresentar rouquidão persistente – mais de 15 dias –, dor, ardência, cansaço para falar, pigarro, perda da voz no decorrer do dia, a fonoaudióloga alerta que é hora de buscar um especialista para investigar os sinais.

Cuidados – Conforme a fonoaudióloga, alguns cuidados devem ser tomados para a manutenção de uma voz saudável, por exemplo, evitar ambientes com ar condicionado intenso, bebidas muito quentes ou muito frias e mudanças bruscas de temperatura, bebidas alcoólicas, tabaco, evitar alimentos ácidos e gaseificados antes do uso intenso da voz, dentre outros.

Exercícios – Exercícios que trabalham mobilidade, postura, força, sensibilidade dos órgãos fonoarticulatórios ajudam na otimização da comunicação, por exemplo, exercícios de articulação, projeção vocal, segundo ela, ajudam a evitar alterações na voz.

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