Sob a ótica do materialismo histórico, o Estado não é um árbitro neutro, mas o “comitê executivo da burguesia”. O caso do Banco Master e o contrato de R$ 129 milhões da esposa do ministro Alexandre de Moraes não são uma “anomalia moral”, mas a expressão nua e crua da advocacia de influência que estrutura o capitalismo periférico brasileiro.
- O Juiz como Agente da Ordem, não do Povo
A esquerda que se tornou “messiânica” em relação a Moraes ignora um fato fundamental da luta de classes: o STF é o guardião da propriedade privada e dos contratos capitalistas. Moraes cumpriu um papel funcional para uma fração da burguesia (incluindo o setor midiático como a Globo) ao conter o golpismo de 8 de janeiro, que ameaçava a estabilidade do mercado. No entanto, o mesmo STF é o carrasco da CLT, o mantenedor da escala 6×1 e o garantidor da precarização. Achar que um agente do topo da pirâmide jurídica defenderia a classe trabalhadora é um erro tático e teórico profundo.
- A Imoralidade é Estrutural (O Erro do Lulopetismo)
A defesa intransigente feita por setores do PT revela uma “cegueira de conveniência”. Ao transformar Moraes em um herói intocável, essa esquerda abandona a crítica à estrutura do Estado. Se o contrato fosse com a esposa de um ministro indicado por Bolsonaro, o clamor por impeachment seria unânime. Essa política de “dois pesos e duas medidas” desidrata a consciência de classe e subordina o movimento popular aos jogos de poder do andar de cima. O contrato de R$ 129 milhões — uma cifra surreal que nenhum trabalhador acumularia em milênios — é o preço do acesso ao poder.
- Jornalismo, Fontes e o Descarte da Toga
O ataque à jornalista Malu Gaspar por setores da esquerda revela um autoritarismo tacanho. No jornalismo sério, o “off” é uma ferramenta de sobrevivência da fonte dentro de um sistema de represálias. Exigir a quebra de sigilo de fonte para proteger um ministro é um tiro no pé de qualquer democracia. A burguesia, via Rede Globo, já começa a sinalizar o descarte de Moraes: ele se tornou “pesado” demais, sujo com o barro do Banco Master. Quando o agente bonapartista deixa de ser útil à estabilidade e passa a gerar ruído excessivo, o sistema o vomita.
- Conclusão Marxista
Para o trabalhador, pouco importa se a caneta que retira seus direitos está limpa ou suja de lama bancária. O escândalo do Banco Master serve para mostrar que, enquanto o povo luta pelo pão, as famílias da alta magistratura e o capital financeiro operam em um ecossistema de cifras astronômicas e favores mútuos. A classe trabalhadora não deve lealdade a ministros, mas à sua própria emancipação. Defender Moraes hoje, diante desses fatos, não é defender a democracia; é defender a manutenção do balcão de negócios que mantém o Brasil como uma fazenda de bancos.
A luta de classes não faz pausas para admirar heróis de toga.






