Por Redação 30 de janeiro de 2026: O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) liberou, nesta sexta-feira (30), o maior volume de dados já registrado sobre o caso Jeffrey Epstein. São mais de 3,1 milhões de páginas, acompanhadas de 2.000 vídeos e 180 mil imagens, que detalham a rede de influência e os crimes sexuais cometidos pelo financista, morto em 2019.
A divulgação ocorre sob o Epstein Files Transparency Act, lei aprovada para dar fim ao sigilo sobre os contatos de alto nível de Epstein. O material, embora não traga uma “lista de indiciamentos” imediata, oferece um raio-X perturbador de como o criminoso utilizava seu acesso a bilionários, políticos e celebridades para validar seu esquema de tráfico sexual.
Os nomes em destaque: do Vale do Silício à Realeza
Entre as revelações que mais ganharam tração nas primeiras horas após a liberação estão registros de comunicações de figuras proeminentes:
Elon Musk: E-mails de 2013 mostram o bilionário questionando Epstein sobre o “melhor momento para visitá-lo”. Musk nega ter frequentado a ilha privada de Epstein, mas o registro reforça a insistência do financista em circular entre os gigantes da tecnologia.
Bill Clinton: O ex-presidente dos EUA aparece em novas fotografias, incluindo um jantar com o cantor Mick Jagger e uma imagem em uma banheira de hidromassagem. Apesar da proximidade, o DOJ reiterou que não há novas provas de atos ilícitos por parte de Clinton nos documentos atuais.
Príncipe Andrew: Os arquivos corroboram depoimentos de vítimas sobre a participação ativa do membro da família real britânica no círculo íntimo de Epstein, mantendo a pressão sobre sua reputação após acordos judiciais anteriores.
A “Conexão Brasileira”
Um dos pontos que chama a atenção na mídia nacional é a menção a um “grande grupo brasileiro” e a existência de pelo menos uma vítima de nacionalidade brasileira. Os documentos indicam que a rede de Epstein tinha tentáculos na América do Sul, utilizando o alcance global do financista para aliciar mulheres e expandir sua influência política e comercial.
Celebridades e o “escudo social”
Nomes como Michael Jackson, Kevin Spacey e Chris Tucker também figuram em fotos ou registros de viagem. No entanto, o vice-procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, fez uma ressalva importante: muitas dessas celebridades foram usadas por Epstein como “troféus sociais”.
“Não encontramos evidências de que todas as pessoas famosas citadas sabiam da extensão dos crimes ou participavam deles. Epstein usava esses nomes para criar uma aura de legitimidade”, explicou Blanche em coletiva.
O que acontece agora?
A liberação massiva de dados coloca as autoridades americanas sob escrutínio. Críticos e grupos de sobreviventes apontam que, embora a transparência seja um avanço, a demora na divulgação e o excesso de tarjas pretas (censura de nomes) em certas partes do documento podem ter protegido indivíduos que ainda ocupam cargos de poder.
Analistas jurídicos acreditam que o material servirá de base para novas investigações civis e processos por danos morais, além de manter o debate sobre a reforma do sistema de justiça criminal nos EUA, que falhou em prender Epstein durante décadas.





