CPI da Exploração Sexual: O currículo jurídico de Waldery Areosa e sua obsessão contra a Fametro

(Empresário Waldery Areosa)/Foto: Acrítica

MANAUS – Em um vídeo que circula nas redes sociais, o empresário Waldery Areosa Ferreira Júnior adotou uma postura de paladino da qualidade educacional ao atacar duramente a faculdade Fametro. O alvo foi a nota 1 obtida pelo curso de medicina no Enade. Entretanto, a veemência com que Areosa questiona a ética e a competência institucional da faculdade e de sua mantenedora, Maria do Carmo Seffair, choca-se frontalmente com um passado que o sistema de justiça brasileiro levou mais de dez anos para processar: os crimes de extrema gravidade investigados na Operação Estocolmo.

O Peso da CPI e as Acusações de Pedofilia

Enquanto Waldery tenta hoje ditar padrões para a formação de médicos, seu nome e o de seu pai figuraram no Relatório Final da CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes da Câmara dos Deputados em 2014. Não se tratava de uma crítica acadêmica, mas de um dos episódios mais degradantes da história policial do Amazonas.

Com base em investigações da Polícia Civil e do Ministério Público, ambos foram denunciados por crimes que ferem a base da dignidade humana: estupro de vulnerável (Art. 217-A) e favorecimento da prostituição de menores (Art. 218-B), conforme registrado nos autos do processo nº 0225904-33.2012.8.04.0001.

Absolvição por Falta de Provas, não por Inexistência de Fatos

O longo rito processual teve um desfecho em 26 de dezembro de 2023. O juízo da 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Dignidade Sexual de Manaus proferiu a sentença de absolvição. É fundamental destacar, sob o rigor jornalístico, que a decisão não se baseou na comprovação de inocência plena, mas sim na “ausência de provas cabais” (Art. 386, VII, do CPP).

Para o Direito Penal, a dúvida favorece o réu, mas para a sociedade manauara, os relatos e os indícios colhidos durante a “Operação Estocolmo” permanecem como uma cicatriz difícil de ignorar.

Do Banco dos Réus ao Palanque Digital

A reemergência de Waldery Areosa Júnior como crítico feroz da Fametro levanta um debate sobre autoridade moral. Ao classificar o ensino de uma instituição sólida como “vergonhoso” e ironizar o futuro profissional dos estudantes, o empresário ignora o telhado de vidro que o protegeu durante a última década.

Enquanto a Fametro enfrenta os desafios naturais de aprimoramento acadêmico — comuns a qualquer instituição de ensino em expansão — Waldery carrega consigo o estigma de quem foi alvo de uma das maiores investigações contra a pedofilia no estado. O contraste é gritante: de um lado, uma instituição que forma profissionais; do outro, um crítico cujos antecedentes remetem aos porões da exploração sexual.

ESPAÇO PARA MANIFESTAÇÃO A redação permanece aberta para que Waldery Areosa Ferreira Júnior ou seus representantes apresentem sua versão sobre os fatos narrados. Este conteúdo é pautado estritamente em documentos públicos, relatórios parlamentares e decisões judiciais.

Nota de Transparência: Texto elaborado com dados do Relatório Final da CPI de Exploração Sexual (Câmara dos Deputados, 2014) e Sentença Judicial de Absolvição do TJAM (Processo nº 0225904-33.2012.8.04.0001).

Relatorio aprovado -VERSAO FINAL- - com autenticacao sentença ESTOCOLMO

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