MANAUS – Sob a nova gestão de Júnior Mar, a Secretaria Municipal de Educação (SEMED) parece ter herdado não apenas a caneta, mas também o vício de privilegiar a elite em detrimento das comunidades esquecidas. Enquanto mães das zonas Leste e Norte enfrentam o sol escaldante em filas por vagas em creches sucateadas, um seleto grupo de 850 “eleitos” desfruta do padrão “Triple A” na Ponta Negra. O custo? Uma fatura milionária paga integralmente pelo contribuinte manauara, em um cenário que o Ministério Público de Contas (MPC-AM) já mantém sob mira cerrada.
💰 A Matemática do Escárnio: R$ 6.941 por Cabeça
Os dados são irrefutáveis e desenham um mapa de privilégios. A gestão Júnior Mar mantém o repasse ao Centro Educacional Século no valor de R$ 6.941,00 por vaga/ano. Para efeito de comparação, o SESI — instituição de referência nacional — opera o mesmo serviço por R$ 6.600,00.
A pergunta que Júnior Mar precisa responder é simples: Por que a prefeitura paga R$ 341,00 a mais por aluno para a escola mais luxuosa da cidade, enquanto faltam itens básicos nas escolas do interior e das periferias? Multiplicado por 850 alunos, o prejuízo aos cofres públicos ultrapassa os R$ 290 mil anuais em comparação com o convênio do SESI.
🏰 O Ecossistema de Waldery Areosa: Blindagem e Gratidão
Por trás dos R$ 5.922.956,23 despejados no Século, existe uma engrenagem de “gratidão política”. O grupo liderado por Waldery Areosa não fatura apenas com repasses. Através do CIESA, opera uma blindagem fiscal invejável:
Isenção de 5% de ISS: Sob o manto do programa Bolsa Universidade.
Estratégia de Caixa: Em 2026, a ampliação de bolsas integrais garante a ocupação máxima das salas e a manutenção dos benefícios tributários.
Em contrapartida, Areosa atua como o “escudo digital” da gestão, atacando adversários políticos e blindando a prefeitura de denúncias de má gestão. É o clássico “uma mão lava a outra”: o apoio político garante o convênio, e o dinheiro do povo garante o silêncio e a defesa da cúpula municipal.
📍 O “Vazio Geográfico”: Onde Moram os “Eleitos”?
A localização do Século, no coração da Ponta Negra, é o maior soco na face do povo. Se a missão de Júnior Mar é democratizar a educação, por que concentrar quase mil vagas no bairro mais caro de Manaus?
“É um escárnio. Estão usando o dinheiro da educação básica para subsidiar uma estrutura de luxo inacessível. Quem são essas crianças? São filhos da periferia ou apadrinhados políticos em uma ‘seleção invisível’?”, questionam lideranças comunitárias.
🚨 Sob a Lupa das Autoridades
A “bomba” está prestes a explodir nos tribunais. O MPC-AM e o TCE-AM investigam irregularidades em editais da SEMED e o uso da pasta para fins eleitorais. Enquanto o Portal da Transparência mostra um fluxo de caixa generoso para aliados, a criança da Zona Leste contínua do lado de fora do muro, observando o privilégio financiado com o suor de seus pais.
📢 EXERCITE SEU DIREITO: QUEBRE A “CAIXA-PRETA”
A sociedade civil deve usar a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011) para exigir transparência. Se Júnior Mar e David Almeida afirmam que o convênio é lícito, eles devem abrir os dados.
O que exigir via e-SIC (manaus.am.gov.br/transparencia/e-sic):
Lista de Beneficiários: Relação nominal e bairro de origem dos 850 alunos (respeitando a LGPD, mas exigindo a procedência geográfica).
Justificativa Logística: Estudo técnico que prova a viabilidade de levar alunos da periferia para a Ponta Negra.
Memória de Cálculo: Por que o Século custa mais caro que o SESI?
Critérios de Seleção: Houve sorteio público ou as vagas foram preenchidas por “indicação”?
NOTA DE TRANSPARÊNCIA: Não procuramos os citados para comentários, uma vez que todas as informações e valores aqui expostos constam detalhadamente nos Portais de Transparência da Prefeitura de Manaus, sendo de livre acesso e interesse público. Caso as partes citadas queiram se manifestar, o canal direto é o e-mail: ronaldodeguadalupe@gmail.com / chumbogrossomanaus. Garantimos que todas as respostas serão publicadas na íntegra dentro desta pauta.
Ronaldo Aleixo – Jornalista, pós-graduando em Direito Digital e LGPD pela PUC-RS, especialista em Lei de Acesso à Informação e análise de dados públicos.





