Vai Curtir o Carnaval, Político de Direita? O Dilema dos aliados com Bolsonaro atrás das grades

Abin fez 33 mil monitoramentos ilegais durante o governo Bolsonaro, de acordo com investigadores Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Carnaval brasileiro nunca foi apenas uma festa de confete e serpentina; é um tabuleiro estratégico onde o prestígio é a moeda de troca. Enquanto celebridades utilizam os camarotes como extensões de seus contratos publicitários e “fábricas de polêmicas” para manter o engajamento, os políticos enxergam na folia um termômetro de popularidade e um balcão de negócios para alianças costuradas ao som do samba.

A Dualidade do Conservadorismo na Folia

Historicamente, políticos de direita e figuras como Jair Bolsonaro adotaram uma postura de “presença seletiva”. Bolsonaro sempre personificou o distanciamento estratégico: preferia vilas militares e o litoral catarinense ou paulista, onde gravava vídeos comendo pão com leite condensado, reforçando a imagem do “homem simples” que evita os excessos da festa em prol dos valores familiares.

Por outro lado, seus aliados mais pragmáticos — como governadores e prefeitos — ocupam os camarotes sob a justificativa da gestão econômica e da segurança pública, tentando equilibrar a manutenção da ordem com a necessidade institucional de apoiar uma indústria que movimenta bilhões.

O Cenário do Cárcere: Luto vs. Deboche

Com o líder conservador preso durante o feriado, o Carnaval se transforma no ápice da Guerra Cultural brasileira, dividindo o país em duas realidades irreconciliáveis:

O “Tribunal do Riso” nas Ruas: Para a oposição e os foliões críticos, a prisão é a “lavagem da alma”. As ruas tornam-se palco de uma explosão de sátiras: blocos inteiros desfilam com uniformes de presidiários e grades cenográficas. O deboche é a ferramenta principal para atacar o que chamam de “falso moralismo”, expondo a queda do líder como a prova final de que seu discurso de retidão era uma fachada.

O “Martírio” nas Redes Sociais: Para o eleitor fiel, a imagem das multidões celebrando enquanto o líder está atrás das grades é recebida como uma afronta sagrada. No WhatsApp e Telegram, o clima é de vigília. As redes são inundadas por uma estética de luto, orações e passagens bíblicas, sustentando a narrativa de que o Brasil se tornou uma “Sodoma e Gomorra” moderna, onde os “justos” são perseguidos para que o pecado possa ser festejado sem culpa.

O Dilema do Político de Direita

Para o político de direita em liberdade, a pergunta “Vai curtir o Carnaval?” torna-se uma armadilha de imagem:

Se for à festa: Arrisca ser chamado de traidor pela base radical (“Como pode sambar enquanto o capitão está preso?”).

Se não for: Perde o espaço de articulação e a chance de mostrar que a direita é capaz de gerir o Estado e suas manifestações culturais sem radicalismos.

O Carnaval, nesse contexto, deixaria de ser uma suspensão da realidade para se tornar o espelho mais cruel da nossa divisão. De um lado, o grito de “justiça” em forma de deboche; do outro, o silêncio do “luto” carregado de indignação. No fim, a festa apenas provaria que, no Brasil, até a alegria é usada como arma política.

 

 

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