O Banquete dos Deuses e o Cassino Jurídico: Até quando a Justiça será cega apenas para os seus? – Por: Ronaldo Aleixo – Portal Chumbo Grosso

Foto: Wallace Martins/STF

O Brasil atravessa um momento em que a realidade supera os roteiros mais sombrios de corrupção. O que assistimos hoje não é apenas o mau uso do dinheiro público; é um deboche institucionalizado. É o espetáculo de uma casta que trata o Estado como propriedade privada, enquanto o cidadão comum luta para sobreviver ao peso de impostos escorchantes e à insegurança jurídica.

A notícia de que o escritório da família de um ex-ministro do STF e atual chefe da Justiça recebeu R$ 2,6 milhões de um banco, sem sequer assinar uma petição, já seria o suficiente para derrubar governos em países sérios. Mas em Brasília, isso é apenas o aperitivo. O prato principal agora vem do Maranhão, onde o “cassino” do Judiciário elevou as apostas a patamares bilionários.

O “Consultivo” de Milhões e a Indústria da Influência

Na advocacia de grife, o termo “consultoria estratégica” virou o código perfeito para a comercialização de acesso. Como explicar que um banco pague cifras astronômicas a familiares de quem detém as chaves do Ministério da Justiça e já vestiu a toga do STF? A legalidade técnica pode ser invocada, mas a moralidade foi jogada na lata do lixo. O povo enxerga o que as notas fiscais tentam esconder: o pagamento pelo prestígio, pela porta aberta e pelo “compadrio” que o advogado de porta de cadeia jamais terá.

De R$ 3 Bilhões: O All-in com o Dinheiro Alheio

Se não bastasse a influência nos gabinetes, agora vemos o dinheiro dos depósitos judiciais — dinheiro que pertence ao povo, que está em litígio e sob guarda do Estado — ser jogado em movimentações obscuras. No Tribunal de Justiça do Maranhão, o presidente Froz Sobrinho decidiu, em um ato solitário e temerário, transferir R$ 2,8 bilhões do Banco do Brasil para o Banco de Brasília (BRB).

O motivo alegado? “Rentabilidade” para pagar indenizações a juízes e desembargadores. O risco? Imensurável. O BRB, vale lembrar, esteve na mira da Polícia Federal por aportes justamente no Banco Master, a mesma instituição que irrigava o escritório da família Lewandowski. Tudo se conecta. Tudo parece fazer parte de um mesmo ecossistema onde o dinheiro circula entre amigos, enquanto o risco fica com o povo.

O bate-boca entre desembargadores no Maranhão revela o tamanho do abismo: de um lado, a tentativa de dividir a responsabilidade por uma decisão “gravíssima”; do outro, magistrados que, sentindo o cheiro de queimado, tentam pular do barco.

O Judiciário e seus Pares: Uma Casta Intocável

A indignação da sociedade nasce desse contraste perverso:

  • Para o cidadão: O rigor da lei, o bloqueio de contas, o silenciamento e a justiça lenta.
  • Para a elite da toga: Contratos milionários de consultoria, transferências bilionárias sem aval do colegiado e o autofavorecimento com rendimentos de depósitos judiciais.

A Reação Necessária

O que vemos no caso do Banco Master, do BRB e das cúpulas de Brasília e do Maranhão é o retrato de um sistema apodrecido que perdeu o pudor. A tentativa de criar uma “CPI do Master” controlada pela própria base governista é a prova final de que o sistema tenta criar sua própria vacina contra a transparência.

O povo brasileiro não aceita mais ser o palhaço dessa corte. A indignação que ferve nas ruas é o último alerta de uma sociedade que não tolera mais a “insanidade” de uma justiça que escolhe quem proteger e onde investir bilhões para benefício próprio.

No Portal Chumbo Grosso, continuaremos dando nome aos bois. Porque o silêncio é o oxigênio dos tiranos. O Brasil precisa de justiça real, não de um balcão de negócios travestido de rito processual.

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