Lula afirma que 90% da população evangélica recebe benefício do governo (VÍDEO)

Em tom de convocação eleitoral, presidente questiona resistência do segmento religioso ao governo e cobra que militância dispute narrativas nas periferias.

SALVADOR – Durante o ato comemorativo dos 46 anos do Partido dos Trabalhadores (PT), realizado neste final de semana em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom contra o distanciamento entre o governo e o eleitorado religioso. Em um dos trechos mais enfáticos de seu discurso, Lula afirmou que cerca de 90% dos evangélicos no Brasil são beneficiários de programas sociais federais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A declaração foi utilizada como um trunfo estatístico para questionar a dificuldade da esquerda em converter a melhora nos indicadores econômicos em apoio político dentro das igrejas. “Cerca de 90% dos evangélicos recebem os benefícios do governo. Agora, é preciso ir lá para conversar e falar dos problemas”, disparou o presidente, cobrando que seus apoiadores não esperem a mediação de lideranças religiosas para dialogar com a base.

Fim do “Paz e Amor”
Lula aproveitou o evento para sinalizar uma mudança de postura visando as eleições de 2026. Segundo ele, o governo não pode mais se manter na defensiva diante da pauta de costumes e da desinformação. O presidente declarou o fim do estilo “Lulinha paz e amor”, classificando o próximo pleito como uma “guerra” de narrativas que será decidida no “pé no barro” e no contato direto com o povo das periferias.

“O erro está na gente, não está neles”, avaliou o presidente ao citar que a militância precisa ser mais ativa na explicação das ações governamentais. A estratégia desenhada pelo Planalto foca em “desmontar mentiras” através do impacto real que o dinheiro público gera no orçamento das famílias cristãs, que compõem a maior parte da classe trabalhadora brasileira.

Reações e Estratégia
A fala de Lula repercutiu rapidamente no Congresso Nacional. Enquanto parlamentares da oposição criticam a tentativa de “monetizar o apoio religioso”, a base governista vê na declaração uma tentativa necessária de furar a bolha conservadora.

A estratégia de focar nos benefícios sociais busca desviar o debate da “guerra cultural” para o “prato de comida”, terreno onde o governo acredita ter vantagem competitiva.

Com a posse de novas lideranças aliadas em estados estratégicos — como o novo diretório do PDT no Amazonas — o governo espera criar uma capilaridade que leve esse discurso estatístico para dentro dos bairros onde o crescimento evangélico é mais acentuado.

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