A passagem da cantora Ana Carolina por Feira de Santana, na Bahia, no último domingo (21), foi marcada por intensos protestos e indignação. Contratada para uma apresentação de Natal, a artista enfrentou vaias do público e críticas severas de autoridades locais devido ao seu comportamento nos bastidores e à gestão do evento.
O Foco da Revolta: Exclusão e Acessibilidade
O ponto mais crítico da noite foi a denúncia de uma atitude discriminatória por parte da produção da cantora. Segundo relatos de presentes e autoridades, a intérprete de Libras teria sido proibida de permanecer no palco, impedindo que o público surdo acompanhasse a performance.
“O mais absurdo: até a intérprete de Libras foi proibida de exercer o seu papel. A artista levou dos cofres públicos R$ 396 mil e demonstrou uma falta de respeito total com a inclusão”, desabafou o vereador e músico Galeguinho em suas redes sociais.
Custo Público e Postura Antiprofissional
Além da falha na acessibilidade, outros fatores alimentaram a revolta dos moradores:
Cachê Elevado: O valor de R$ 396 mil por apenas 90 minutos de show, pago com recursos públicos, foi considerado desproporcional pela população.
Bloqueio à Imprensa: Veículos de comunicação locais foram impedidos de registrar imagens e de acessar as proximidades do palco.
Distanciamento dos Fãs: Relatos indicam que a cantora se recusou a atender admiradores e profissionais da mídia, chegando ao camarim sob uma chuva de vaias gravada em vídeos que circulam na internet.
Impacto na Imagem
A conduta da artista gerou um debate sobre o respeito de grandes estrelas por cidades do interior. Para muitos críticos, a proibição da tradução simultânea para a comunidade surda não foi apenas um erro logístico, mas uma postura discriminatória que fere direitos básicos de acessibilidade em eventos financiados pelo estado.
Até o momento, a assessoria de Ana Carolina não se manifestou oficialmente sobre as acusações de expulsão da intérprete ou sobre o tratamento dispensado à imprensa local.
Ele Não
A cantora, lésbica assumida, Ana Carolina já se manifestou de forma crítica em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, embora não seja uma artista que costuma falar constantemente de política partidária.
Aqui estão os principais registros públicos desse posicionamento:
Entrevista na Sapucaí (2022): Durante o Carnaval de 2022, em entrevista à coluna de Mônica Bergamo (Folha de S.Paulo), a cantora afirmou que ainda estava indecisa sobre em quem votar para presidente, mas foi enfática ao dizer: “Ele não”, utilizando a frase que se tornou o principal lema dos protestos contra Bolsonaro desde 2018.
Posicionamento sobre Direitos e Liberdades: Em diversas ocasiões, ela reforçou que “viver é um ato político” e criticou posturas radicais e preconceituosas. Sendo uma mulher lésbica e defensora da causa LGBTQIAPN+, ela frequentemente se posiciona contra o conservadorismo extremista que marcou a gestão anterior.
Apoio a Protestos: Recentemente, em 2025, seu nome também apareceu entre artistas que apoiaram mobilizações contra medidas legislativas vistas como retrocessos democráticos (como a PEC da Blindagem e pautas de anistia).





