COMO LULA CRIOU O PETISTA DE DIREITA COM 34% DELES AUTO DECLARADOS E PRONTOS PARA AGIR EM FAVOR DO GRANDE CAPITAL

34% dos petistas se dizem de direita; 14% dos bolsonaristas, de esquerda…

“O Messianismo da Despolitização: Como o Lulismo Esvaziou a Esquerda e Abriu as Portas para a Direita no PT”

A recente pesquisa Datafolha, divulgada no final de 2025, revela um cenário que, para os marxistas convictos, não causa surpresa, mas sim uma profunda indignação teórica: 34% dos que se declaram petistas identificam-se como de direita ou centro-direita.

Enquanto isso, o “purismo” institucional do Partido dos Trabalhadores (PT) tenta tapar o sol com a peneira de estatutos e cartas de princípios que, na prática cotidiana das bases, tornaram-se letra morta.

A Experiência Vivida:

Onde o Debate de Classe foi Silenciado
Há dez anos, nos debates internos do PT no Amazonas, eu já apontava o óbvio: a existência de uma direita orgânica e crescente dentro do partido. A resposta da burocracia partidária — aqueles que orbitam cargos públicos e mantêm uma defesa messiânica e quase cognitiva de Lula — era o escárnio. “Leia o estatuto”, diziam eles, como se um pedaço de papel pudesse conter a realidade material da conciliação de classes.
O que vivi foi a substituição da análise científica do real por um pragmatismo cego. O PT evocou um puritanismo de fachada para anular qualquer tentativa de debate classista. Hoje, os dados confirmam que aquele “absurdo” que eu pregava era a antecipação da falência ideológica que vemos agora.

Lula como Agente da Desmobilização

É preciso dar nome aos bois: o maior responsável por essa despolitização é o próprio Luiz Inácio Lula da Silva. Ao longo de décadas, Lula consolidou-se como um líder que, paradoxalmente, atua para esvaziar a mobilização popular. Na sua tática de “Paz e Amor” e governabilidade a qualquer custo, ele desprezou problemas estruturais e desarmou a consciência crítica da classe trabalhadora.
Ao transformar a política em um espetáculo de uma única figura — o líder infalível e messiânico — o PT deseducou suas bases.

Quando a ideologia é substituída pelo culto à personalidade, o resultado é uma massa que apoia o “Líder”, mas que não compreende (ou rejeita) o programa de transformação social. A infiltração da direita no PT não é um erro de percurso; é uma construção gramsciana às avessas, operada pelo lulismo para manter a ordem burguesa sob uma roupagem progressista.

A Tabela da Confusão Ideológica

Os dados captados pelo portal Poder360 desenham o retrato de um partido que perdeu sua bússola de classe:

Identifica-se como Esquerda: 47%, Direita petista: 34%, Centro/ Não sabe: 18%.

Fonte: Dados Datafolha via Poder360.

Conclusão: O Ocaso do Progressismo Hegemônico

O PT é hoje vítima de sua própria orientação proposital. A tática eleitoral suplantou o projeto estratégico. Lula, embora ainda seja o maior cabo eleitoral do país, tornou-se um ser político despolitizante. Ele criou o “petista de direita” ao governar para o capital enquanto distribuía migalhas para o trabalho, sem nunca tocar na estrutura de poder que oprime o proletariado.

Enquanto a esquerda não romper com esse “messianismo lunático” e não retomar o debate real da luta de classes, continuará assistindo à sua própria diluição. O resultado da pesquisa não é apenas um número; é a certidão de óbito de uma esquerda que aceitou ser assimilada pelo sistema que um dia prometeu combater.

Por Rafael Medeiros | TREZZE Comunicação Integrada.
(Com base em dados do Poder360/Datafolha)

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