Aliança entre PDT e Avante isola o centro e abre “avenida” estratégica para Maria do Carmo

Capitão Alberto (PL) e a vice Maria do Carmo (Novo), que disputam prefeitura de Manaus - Foto: Divulgação

A política amazonense acaba de perder sua “pureza” de opostos. O que antes se desenhava como um duelo direto entre o governismo e o conservadorismo foi implodido por um fato novo: a entrada de uma terceira força na disputa pelo Governo do Estado. O anúncio da aliança entre PDT e Avante, chancelado por Carlos Lupi neste 6 de fevereiro, não traz apenas um novo nome para as urnas; traz para o centro do debate o “DNA” de uma crise federal que ainda tenta estancar as feridas de um rombo bilionário.

Nesse novo cenário, a Professora Maria do Carmo (PL) surge como a principal beneficiária estratégica. Ao consolidar-se na segunda posição das pesquisas (entre 23% e 29%), a pré-candidata bolsonarista vê o caminho livre para monopolizar o discurso de ética e renovação.

O “Fator Lupi” e o desgaste do Centro

Ao aceitar o apoio da estrutura nacional do PDT, o grupo que tenta se viabilizar como “terceira via” acaba mergulhando em águas turvas. A campanha agora carrega o estigma do escândalo das fraudes no INSS, que derrubou Carlos Lupi do Ministério da Previdência em maio de 2025 após a revelação de desvios que podem chegar a R$ 6,3 bilhões.

Para Maria do Carmo, esse movimento é um presente tático. Enquanto seus adversários terão que explicar alianças com figuras carimbadas por crises em Brasília, a empresária e educadora mantém uma identidade clara, sem “tons de cinza”. Ela se torna a única candidata com viabilidade eleitoral capaz de empunhar a bandeira da independência total em relação ao que chama de “fisiologismo da Esplanada”.

Captura do eleitorado conservador e rejeição municipal

A fragmentação do campo governista — agora dividido entre a lealdade inabalável ao Planalto e uma via intermediária manchada por denúncias — empurra o eleitor de direita e centro-direita diretamente para os braços do PL.

Herança de Votos: Com a rejeição à gestão municipal em Manaus atingindo níveis críticos (63% de reprovação e 68% de desconfiança, segundo dados da Perspectiva/Census de dezembro/25), Maria do Carmo posiciona-se como a antítese administrativa.

Munição Ética: O palanque de Maria do Carmo ganha força para associar seus rivais ao descaso com o dinheiro dos aposentados, questionando a eficiência de quem se alia a partidos que negligenciaram rombos bilionários em Brasília.

A vantagem no Segundo Turno

Se o cenário de fragmentação persistir, Maria do Carmo entra na fase decisiva em uma posição de “vidraça protegida”. Enquanto os outros dois polos se desgastam em um duelo por quem é o “aliado preferencial” do Governo Federal, ela avança silenciosamente em nichos onde o governo é mal avaliado, como o setor produtivo e as classes médias urbanas.

O fim da “dualidade pura” marca o início de uma eleição em que o passado recente de Brasília — e as cifras desviadas do INSS — terá tanto peso quanto os problemas reais das ruas de Manaus e do interior. Para Maria do Carmo, a entrada do PDT na disputa não é um obstáculo, mas um facilitador para consolidar sua imagem como o único refúgio para quem busca uma ruptura real com o modelo atual.

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