Rota de Colisão: como o impasse no transporte virou o maior campo de batalha entre Wilson Lima e David Almeida

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O que começou como um benefício histórico para 170 mil estudantes tornou-se o principal campo de batalha política no Amazonas. A crise no transporte coletivo de Manaus, marcada por paralisações e trocas de farpas entre o prefeito David Almeida e o governador Wilson Lima, sinaliza que a corrida eleitoral de 2026 já saiu da garagem e está em velocidade máxima.

De um lado, David Almeida utiliza a tribuna para se pintar como o “gestor solitário”. Ao afirmar que o Tesouro Municipal carrega sozinho o fardo de um sistema deficitário, o prefeito tenta desgastar a imagem de Wilson Lima junto à classe estudantil e aos rodoviários. A estratégia é clara: se o ônibus para ou se a tarifa subir, a culpa é da “ausência” do Estado. David joga com o custo operacional real (a tarifa técnica), tentando forçar o Estado a dividir um prejuízo que cresce a cada alta do combustível.

Do outro lado, Wilson Lima joga a responsabilidade de volta para o colo da prefeitura. Ao depositar valores em juízo e bater na tecla de que “quem gere ônibus é o prefeito”, o governador tenta se blindar do desgaste logístico da capital. Para Wilson, aceitar o cálculo da prefeitura seria assinar um cheque em branco para um sistema que ele não controla e que sofre críticas constantes da população.

O Fator 2026 O pano de fundo desse impasse não é apenas o orçamento, mas a sobrevivência política. Com Wilson Lima de olho em uma vaga no Senado e David Almeida despontando como um potencial candidato ao Governo do Estado, o Passe Livre virou o “sequestro” perfeito para palanque.

Se David Almeida conseguir convencer o eleitor de que o Estado é o vilão do transporte, ele ganha fôlego para sua provável subida de degrau em 2026. Se Wilson Lima provar que a prefeitura é ineficiente na gestão dos contratos, ele enfraquece seu principal rival na capital, onde se concentra mais de 50% do eleitorado.

Enquanto os dois líderes disputam quem deve pagar o boleto, o usuário do transporte em Manaus segue esperando na parada. O “Passe Livre” nunca custou tão caro para a harmonia política do Amazonas, e o preço final dessa conta será cobrado nas urnas.

(VÍDEO) David Almeida sobe o tom e culpa Governo do Estado por falta de repasses no transporte

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