Manaus atravessa um portal de dor que desafia a lógica política, mas encontra explicação nas leis invisíveis que regem o universo. Como jornalista, acompanho os fatos; como Zelador de Umbanda, interpreto os sinais. O que testemunhamos entre o velório da biomédica Giovana Ribeiro, em junho de 2025, e o falecimento de Benedito, filho do prefeito David Almeida, em janeiro de 2026, não é obra do acaso. É o balançar da balança de Xangô cruzando com as profecias bíblicas.
Quando o companheiro de Giovana, em meio ao luto lancinante, confrontou o governante dizendo que ele “carregaria aquela culpa”, ele não proferiu apenas um desabafo. Na espiritualidade, entendemos que o grito do injustiçado possui um Axé (força) de cobrança imediata. O livro de Tiago 5:4 nos alerta sobre isso: “Eis que o clamor dos que ceifaram chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos”. No plano astral, as palavras proferidas sobre um caixão têm peso de sentença; são sementes lançadas em solo sagrado que o tempo se encarrega de germinar, conforme dita a lei da semeadura: “De Deus não se zomba. Pois tudo o que o homem semear, isso também colherá” (Gálatas 6:7).
Entretanto, é preciso que a comunidade entenda: Justiça Espiritual não é vingança. Deus e os Orixás não “castigam” tirando a vida de um inocente para ferir um adulto. A partida do pequeno Benedito, com menos de um mês de vida, é um mistério que a mente humana tenta explicar, mas só a alma alcança. Na Umbanda, vemos esses espíritos como mensageiros de luz que aceitam missões curtas para transformar famílias. Na Bíblia, lembramos de Jó, que no ápice de sua dor reconheceu: “O Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1:21).
Benedito veio para que seu pai, o prefeito, sentisse no íntimo do seu lar a mesma fragilidade e a mesma impotência que o cidadão comum sente nas filas dos hospitais. A espiritualidade ensina que o poder é uma prova emprestada, e a Bíblia reforça a responsabilidade do cargo: “A quem muito foi dado, muito será exigido” (Lucas 12:48). A dor do prefeito e a dor do povo agora habitam o mesmo patamar vibratório. Não há diferença entre a lágrima que cai no Morro da Liberdade e a que cai no gabinete municipal, pois perante o Criador, somos todos iguais.
Como Zelador, vejo que Manaus precisa de um descarrego de consciência. O luto que hoje visita a casa de David Almeida é o mesmo que visitou a casa de tantos manauaras. É a manifestação de Provérbios 21:13: “Quem fecha os ouvidos ao clamor do pobre também clamará e não será ouvido”. Mas o caminho agora não é o da celebração pela tragédia alheia. A Lei de Retorno serve para o aprendizado, não para o escárnio. Celebrar a dor do outro é contrair um novo débito espiritual.
Que o silêncio do berço vazio de Benedito tenha o poder de despertar a empatia de quem decide o destino da nossa gente. Que o governante entenda que sua caneta deve escrever justiça para que sua colheita futura seja de paz. No final das contas, perante a Lei Maior e o senhor da transição, Pai Omulu, somos apenas espíritos em trânsito. Que cada vida perdida nesta cidade seja tratada com o mesmo zelo que o prefeito dedica à sua própria linhagem, pois na balança divina, a vida de um motoboy e a de um governante possuem exatamente o mesmo peso.
Saravá, Axé, Amém e Luz Divina para todos.

Obs: preferir não publicar o vídeo, pois considero desnecessário esse sentimento de dor misturado com ódio e vingança. Você encontra o vídeo no perfil CHORA MANAUS/INSTAGRAM.





