O Brasil assiste, em tempo real, a um espetáculo de inversão de valores que desafia a lógica e a paciência do cidadão honesto. De um lado, o rigor implacável da Suprema Corte contra uma mulher que usou um batom para pichar uma estátua; do outro, a impotência — ou a conveniência — do Estado diante da audácia de criminosos ligados à cúpula do Comando Vermelho.
O caso do rapper Oruam é o retrato fiel dessa blindagem. Acusado de crimes graves, incluindo tentativa de homicídio contra policiais civis, ele tratou a tornozeleira eletrônica como um adereço de moda, violando o monitoramento 66 vezes antes de ser declarado foragido. Onde está o “braço forte” da lei agora?
O contraste é escandaloso:
Para o manifestante: O peso total do Código Penal, penas que ultrapassam uma década e o rótulo de “terrorista”.
Para o crime organizado: Habeas corpus generosos, progressões de regime facilitadas e uma polícia que, muitas vezes, é impedida de subir o morro para cumprir mandados básicos.
Enquanto a PF monitora o “risco de fuga” de um artista que ostenta sua lealdade a líderes do CV em redes sociais e palcos internacionais, as famílias dos policiais atacados esperam por uma justiça que parece só ter pressa quando o réu não tem fuzil.
A sociedade brasileira pergunta: a lei serve para proteger a democracia ou para blindar quem aterroriza as comunidades? Se o Estado é incapaz de prender quem desafia a polícia abertamente, ele assina seu atestado de rendição ao crime organizado.





