O Rio de Janeiro assiste a mais um capítulo da sua crônica policial onde a realidade parece debochar das instituições. Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o rapper Oruam, agora é oficialmente um foragido da Justiça. Filho de Marcinho VP — o “chefão dos chefões” do Comando Vermelho (CV) —, o artista transformou a tornozeleira eletrônica em um adereço descartável, violando o monitoramento nada menos que 66 vezes.
O deboche como estilo de vida
Enquanto o cidadão comum é monitorado de perto pelo Estado através de impostos e multas, Oruam tratou as medidas cautelares como sugestões opcionais. Das 21 violações graves registradas somente em 2026, a maioria foi por um motivo fútil: o rapper simplesmente não carregava a bateria do equipamento.
Mas o buraco é mais embaixo. A perícia da Seap constatou danos de “alto impacto” no dispositivo anterior. No mundo do crime e da ostentação, o sinal emitido é claro: o Estado não entra no Joá, e as regras da Justiça não alcançam quem tem o “sangue real” da maior facção criminosa do Rio.
A conexão com o Comando Vermelho
Diferente de outros artistas que tentam separar a arte da vida pessoal, Oruam sempre fez questão de exaltar o DNA do crime. Suas apresentações e redes sociais são frequentemente palcos de homenagens ao pai, preso em segurança máxima. Para a inteligência da polícia, o rapper não é apenas um músico, mas uma peça de propaganda que ajuda a “glamourizar” o Comando Vermelho para milhões de jovens.
A revogação do habeas corpus pelo STJ e o mandado de prisão expedido pela juíza Tula Correa de Mello são tentativas de restaurar a ordem. Com o passaporte retido e a Polícia Federal em alerta, o cerco se fecha. Mas fica a pergunta: como alguém sob “monitoramento rígido” consegue ignorar a lei 66 vezes antes de uma medida drástica ser tomada?
A Justiça é cega ou seletiva?
O caso Oruam acende o debate que inflama o Sudeste: a sensação de que existe uma justiça para quem vive à margem e outra para quem ostenta o poder das facções. No Rio, o crime organizado não quer apenas o território; quer a narrativa, a cultura e a certeza da impunidade.
O Portal Chumbo Grosso segue acompanhando. A prisão de Oruam é necessária, mas o que a sociedade exige é o fim do espetáculo de privilégios que permite que herdeiros do crime tratem a Justiça brasileira como um mero detalhe em seus clipes de ostentação.





