Operação Tupinambarana Liberta: Indiciamentos e investigações miram possível envolvimento de Wilson Lima em fraude eleitoral

Relatório da Polícia Federal aponta uso da máquina pública e de forças de elite da PM para favorecer candidatura em Parintins; MPAM investiga participação do governador por abuso de poder.

MANAUS – O encerramento do inquérito da Operação Tupinambarana Liberta pela Polícia Federal (PF) e novos desdobramentos no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) colocam o Governo do Amazonas e o governador Wilson Lima no centro de uma das maiores crises políticas do estado. Cinco ex-agentes do alto escalão foram indiciados por crimes que somam até 20 anos de prisão, enquanto a Justiça agora busca esclarecer se o comando das ações partiu da cúpula do Palácio da compensa.

O Esquema: Milícias e Monitoramento da PF

As investigações da PF revelaram um esquema sofisticado de interferência democrática. Segundo o inquérito, o grupo utilizou a estrutura do Governo do Estado — incluindo viaturas, logística e armamento — para beneficiar uma candidatura à Prefeitura de Parintins.

As provas incluem vídeos de uma reunião ocorrida em agosto de 2024, onde autoridades admitiam a compra de votos, o uso de criminosos ligados a facções para ameaçar eleitores e, de forma inédita, o monitoramento em tempo real de equipes da Polícia Federal para evitar flagrantes durante a prática de crimes eleitorais.

A Lista dos Indiciados

A Polícia Federal indiciou formalmente cinco figuras que ocupavam cargos de confiança e comando:

Marcos Apollo (Ex-secretário de Cultura)

Fabrício Cyrino (Ex-secretário de Administração)

Armando Silva Do Valle (Ex-presidente da Cosama)

Jackson Ribeiro (Ex-comandante da Rocam)

Guilherme Navarro (Ex-comandante do COE)

Eles respondem por organização criminosa, corrupção eleitoral e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

A sombra sobre Wilson Lima

Embora os nomes acima tenham sido os primeiros alvos, o foco das investigações se expandiu. O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou um inquérito civil específico para apurar a conduta de Wilson Lima. O órgão investiga se houve excesso de poder e improbidade administrativa, questionando se a movimentação de secretários e comandantes de elite poderia ter ocorrido sem a anuência ou coordenação do chefe do Executivo.

Na última segunda-feira (26), o TRE-AM deu um novo passo ao citar o atual comandante-geral da PM, Coronel Marcos Klinger, por suspeita de interferência direta no pleito. A citação é vista por analistas jurídicos como um sinal de que a investigação está subindo a linha de comando, aproximando-se da responsabilidade direta do governador sobre seus subordinados.

Defesa e consequências

Em nota, o Governo do Amazonas reiterou que exonerou os envolvidos tão logo as suspeitas surgiram e que colabora com as instituições para esclarecer os fatos. A defesa de Wilson Lima nega qualquer participação em atos ilícitos e sustenta que as movimentações policiais no interior seguiram critérios técnicos.

Caso as investigações de abuso de poder político e econômico sejam confirmadas pelo TRE, Wilson Lima pode enfrentar processos de cassação de mandato e ficar inelegível por oito anos. Para os indiciados pela PF, o caso agora segue para o Ministério Público Eleitoral, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia criminal à Justiça.

Foto: montagem Coronel Marcos Klinger e Governador Wilson Lima.

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