A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD), que pediu ao Ministério Público Federal (MPF), para investigar a atuação do ex-ministro Sergio Moro na a Alvarez & Marsal, defende que, caso sejam encontradas irregularidades, o ex-juiz sofra as devidas sanções penais.
“Pedimos a divulgação do salário porque entendemos que essa informação é de interesse público, não privado. Também não está claro se o valor que ele recebeu é condizente com o tipo de trabalho que estava realizando”, afirmou Tânia Maria de Oliveira, integrante da coordenação executiva nacional da ABJD, em entrevista ao Metrópoles.
“Ele está dizendo contraditoriamente que essa é uma informação de âmbito privado, mas ele sempre fez dessa discussão de combate à corrupção uma fala para justificar ações, inclusive, ilegais, como a divulgação de grampos”, argumentou.
Para a jurista, um salário desproporcional ao cargo pode ser indício de que um crime foi cometido.
“No site da Alvarez & Marsal tinha a informação de que o Moro era o diretor. Mas ele sempre disse que fez um trabalho na condição de consultor. Se o que ele recebeu dessa empresa não for compatível como o trabalho é um indício claro de corrupção passiva“, apontou Tânia.
Outro crime que a jurista apontou para que seja investigado é o de tráfico de influência.
“É preciso ter clareza do que é essa relação efetiva com uma empresa norte-americana que é responsável pela recuperação judicial de empresas que foram quebradas por decisões da Lava Jato”, afirmou a jurista.
O ex-juiz Sérgio Moro recebe um salário do Podemos. Recém-filiado ao partido e apontado como nome para concorrer a presidente em 2022, Moro vai recebe R$ 22 mil, o que, descontados os impostos, ficará em torno de R$ 15 mil. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.





