Reflexos da crise humanitária em que está mergulhada a Venezuela são sentidos até na hora de os venezuelanos enterrarem os parentes. E o mais irritante e ler a Nota que o PT e o PC do B emitiram conjuntamente em maio deste ano apoiando a eleição do marginal ditador Nicolas Maduro.
“Levei cinco dias para juntar dinheiro para recolher o corpo do meu pai do necrotério, outros sete para achar um espaço no cemitério. Quando não tinha mais como pedir dinheiro a parentes e amigos para mais nada, decidi que faríamos, com meus irmãos, um caixão com cartolina. Mas foi tudo com muito amor e oração, sei que ele agora finalmente está em paz.”, o relato comovido de Willy Olmedo, 25, do município de Sucre, na região metropolitana de Caracas, à Folha de S.Paulo, resume alguns desses percalços.
“Aqui mesmo já vi alguns sendo enterrados em lençóis, coisa que só tinha escutado que estava acontecendo no interior, agora chegou aos subúrbios de Caracas”, diz.
Se entre os estratos mais pobres da população falta dinheiro para tirar o corpo de um necrotério público – trâmite antes gratuito, mas hoje sujeito à cobrança de subornos -, conseguir espaço num cemitério e até comprar um caixão simples, entre os de classe média ou mais endinheirados o problema passa também por outros procedimentos, como cremar ou embalsamar. Muito comum também se tornaram as profanações de sepulturas, atrás de objetos de valor, e o roubo das placas de ouro ou bronze.
“Tiraram as placas com o nome de todos os meus familiares. Tivemos de reunir os parentes aqui para fazer um mapa baseado em nossas lembranças para lembrar quem está onde. Foi muito doloroso, como reviver cada funeral”, diz Norma Herrera, 52, ao mostrar à reportagem o lote da família, com buracos nos locais das placas, no tradicional Cementerio del Este.
Se no começo as cremações passaram a ser comuns, por conta dos custos de um funeral tradicional, agora nem estas podem ser feitas em todos os estados do país. Em Zulia, por exemplo, como reportou a Reuters, Angelica Vera, 27, não pôde cremar o pai, por falta de gás no cemitério local.
“Essas coisas fazem que a tragédia da morte continue acentuando a tristeza da ausência de um parente”, conta Herrera, enquanto mostra, caminhando pelo cemitério caraquenho, algumas sepulturas com o cartaz: “Esta aqui já foi violada”.
“Quase coloquei um cartaz assim na nossa. Porque não basta recolocar as placas, reformar sepulturas, se você pode ter de enfrentar isso tudo de novo”, disse Herrera.
Com a inflação projetada pelo FMI em 1.000% para este ano e a crise gerada pela falta de papel-moeda no mercado, há uma busca extra por metais e pedras preciosas.
Além da migração para as regiões de mineração do país, outra fonte para obtê-los é por meio do roubo de joias, pedras preciosas, bancos que guardam ouro e, por que não, violação de sepulturas e roubos de placas em lápides. Com informações da Folhapress.
Em maio deste ano o PT e PCdoB, divulgaram nota conjunta sobre as eleições venezuelanas e apoiando o marginal ditador Nicolas Maduro

“O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), através de suas Secretarias de Relações Internacionais, felicitam o povo venezuelano pela retumbante vitória política e eleitoral do presidente Nicolás Maduro, reeleito neste domingo, 20 de maio, para mais um mandato de seis anos à frente da Revolução Bolivariana. O presidente reeleito obteve 5.823.728 dos sufrágios (68%), contra 1.820.552 do segundo colocado.
Este triunfo, expressão da vitalidade do sistema eleitoral democrático venezuelano e dos sólidos laços do governo com o povo, é contestado pelo imperialismo estadunidense e governos lacaios da região latino-americana e caribenha, entre estes o governo golpista de Michel Temer.
Em nota emitida pelo chamado Grupo de Lima, de legitimidade questionável, e divulgada no site oficial do Itamaraty, governos hostis à Venezuela atacam o sistema eleitoral do país, o modelo político, afirmam que não reconhecem os resultados e propõem um conjunto de medidas de ingerência nos assuntos internos da Venezuela.
O sistema político-eleitoral venezuelano aperfeiçoa-se progressivamente desde 1999. Assegura à população um amplo direito de voto e é dotado de mecanismos de transparência e verificação. Já foi elogiado pelo ex-presidente dos EUA, Jimmy Carter, e agora pelo ex-presidente do governo espanhol, José Luís Zapatero, que integrou as delegações de acompanhamento internacional das eleições do último domingo. Torna-se evidente que os ataques dos EUA, da mídia e dos governos do chamado Grupo de Lima emanam de forças hostis à Venezuela e são feitos para deliberadamente criar um ambiente favorável ao golpe e à intervenção externa.
Condenamos veementemente a posição do Grupo de Lima e do Itamaraty. Nunca a política externa brasileira foi tão partidarizada, subserviente e vilipendiada como tem sido sob o governo golpista. Além de participar dessa manobra intervencionista do Grupo de Lima, o governo ilegítimo de Temer rasga toda a tradição diplomática brasileira de trabalhar para soluções baseadas no diálogo e no respeito à autodeterminação dos povos e nações, envergonhando o país diante do mundo.
Exortamos o povo brasileiro a manifestar sua solidariedade com o povo fraterno do país vizinho.





