Marcelo Ramos cobra reunião da bancada federal com Wilson Lima em entrevista na BandNews

“JÁ ESTÁ NA HORA, NÉ?”, DIZ MARCELO RAMOS AO SUGERIR QUE WILSON LIMA PROTAGONIZE REUNIÃO DA BANCADA FEDERAL PARA TRATAR SOBRE ZFM NO GOVERNO BOLSONARO

O deputado federal Marcelo Ramos, em entrevista à Coluna de Política da rádio Band News Difusora, declarou que “já está na hora” do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), tomar o protagonismo de conduzir uma reunião com a bancada do Estado em Brasília.

Ramos afirma que necessidade de apresentar aos parlamentares recém-eleitos e aos reeleitos uma agenda prioritária do Governo do Estado se torna ainda mais urgente diante dos claros ataques da equipe econômica do Governo Federal aos incentivos fiscais que sustentam a ZFM (Zona Franca de Manaus).

“Eu acho até que está na hora, né? Vamos assumir o mandato dia 1º. Não tenho dúvida, e aí me julgo até no direito de falar em nome da bancada inteira, mas todos nós estamos com muita disposição de ajudar o governo. Agora, claro que o protagonismo deste ato não pode ser de um deputado”, declarou.

Na entrevista, que foi ao ar na manhã desta terça-feira, Marcelo Ramos apresentou argumentos técnicos que, segundo ele, devem ser melhor apresentados nacionalmente para retirar o preconceito com a região e o modelo ZFM ne adiantou a agenda de Rodrigo Maia em Manaus nesta quinta-feira, dia 24.

Lei a entrevista a seguir:

Rosiene Carvalho (RC): O senhor está circulando bastante para todo lado: reuniões nacionais com novas lideranças, FIEAM, deputados da bancada do Amazonas… Como estão os seus preparativos para assumir mandato de deputado federal pela primeira vez?

Marcelo Ramos: Eu encaro o mandato de deputado federal como uma grande honraria e responsabilidade concedidos a mim pela população. Portanto, tenho procurado me preparar para um mandato qualificado tecnicamente. Por outro lado, estudar muito e criar canais de articulações. Somos oito deputados federais. Se não tivermos uma capacidade de articulação com outras bancadas, com o presidente da Câmara, vamos ter muita dificuldade de defender os direitos do povo do Amazonas.

RC: O assunto mais conflituoso será a defesa do modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) no Governo Bolsonaro. Como o senhor acha que será o seu trabalho, diante de uma definição de seu partido de ser da base aliada?

Marcelo Ramos: Primeiro, quero deixar claro que o meu partido é o Amazonas e a ZFM. Estarei ao lado do governo se o governo corresponder às expectativas que a população do Amazonas tem dele. Acima dos interesses do meu partido, estão os interesses do povo do Amazonas. Penso que não será uma tarefa fácil. A política econômica do Governo Federal é claramente contra os incentivos fiscais e à proteção do nosso mercado nacional. Eles defendem o fim dos incentivos fiscais e a redução do imposto de importação para facilitar a entrada dos importados no nosso País. E isso é radicalmente contra o que precisamos para proteger o modelo ZFM.

RC: Quais as alternativas?

Marcelo Ramos: Eu vejo dentro do Governo, principalmente inspirados pelos militares, há uma proteção do nosso modelo ZFM para que a gente não perca completamente a produtividade de uma hora para a outra. Vamos ter que ser muito técnicos na defesa do nosso modelo, aquele discurso panfletário não servirá para enfrentar o grupo do ministro Paulo Guedes e nós vamos ter que ter uma capacidade articulação grande com setores estratégicos do governo. E eu acho que os militares são esse setor estratégico, porque têm outra visão do Amazonas. Entendem dentro de um projeto de segurança nacional e não dentro de um projeto econômico.

RC: Quais argumentos?

Marcelo Ramos: A ZFM é um instrumento de desenvolvimento regional, representamos apenas 8% de toda a renúncia fiscal do País. A região Sudeste representa mais de 50% de renúncia fiscal do País. Então, eles têm interesse também em políticas de incentivo fiscal. Vamos ter habilidade para isso. Inclusive, um dos meus objetivos iniciais é criar uma frente parlamentar em defesa do desenvolvimento regional. Para que, a gente tire a ZFM do isolamento, e coloque ela junto dos incentivos fiscais concedidos no Brasil inteiro. Quando nos atingir, vão estar atingindo também São Paulo, a Bahia e isso fortalece nossa capacidade de resistir às investidas contra o nosso modelo.

RC: A mídia nacional tem feito uma cobertura da equipe econômica que expões como foco principal os incentivos fiscais da ZFM. O senhor percebe isso? Isso assusta um pouco?

Marcelo Ramos: Eu percebo. Assusta. E tenho diagnóstico que isso é muito fruto de preconceito do que de dados objetivos. A ZFM hoje ela compra 63% de toda matéria-prima dela do resto do Brasil e não de fora. Precisamos trazer para o nosso lado essas pessoas que nos vendem componentes. A nossa renúncia fiscal representa muito pouco em relação à renúncia fiscal do País. Ela, talvez, seja a das menores do País. Apenas 9%. Eu enxergo também isso como uma grande oportunidade.

RC: De que?

Marcelo Ramos: Passou da hora de cobrarmos um investimento em infraestrutura produtiva, ter um sistema portuário mais competitivo, hidrovias sinalizadas, navegáveis o ano inteiro. A questão da BR-319 que é fundamental. A superação da nossa crise de energética, a superação de uma internet e telefonia cara de baixa qualidade. Então, focar um pouco também em diminuir o custo Amazonas, o custo logístico do Amazonas e, por outro lado, entender e empreender um pouco mais. E empreender esforços a desenvolver atividades vincula às nossas capacidades naturais.

RC: Quando o senhor fala começar, entende que não é algo tão rápido.

Marcelo Ramos: Não é rápido e é contraditório. Se acabar os incentivos da ZFM a gente não consegue começar nada. Mas também ter a consciência autocrítica que nenhum modelo industrial se sustenta eternamente baseado única e exclusivamente baseado em incentivos fiscais e em barreiras alfandegárias. Não tem jeito, num mundo moderno isso é insustentável. Para acabar com os incentivos da ZFM, não precisa tirar ela da Constituição, não. Basta ir diminuindo suas vantagens competitivas. Bastava não aprovar o projeto da Sudam, basta reduzir alíquota de importação de produtos que a gente produz aqui, basta mudar o que é produto de informática e continua lá na Constituição, mas a gente não tem mais competitividade. Precisamos ter clareza quanto a isso: não basta manter a ZFM na Constituição, é preciso a proteção infraconstitucional em leis, decretos, regulamentos e portarias. Por isso, a atenção terá que ser permanente nos próximos anos.

RC: Soube que o senhor tem um projeto audacioso em defesa da BR-319. O senhor pode adiantar do que se trata?

Marcelo Ramos: A BR-319 é fundamental para a integração nacional, nossa atividade industrial e comercial. E ela é um instrumento fundamental, e os textos do general Villas Boas são muito bons quanto isso, de segurança nacional para o País. Tempo de deslocamento de tropas para proteção da Amazônia. Essa não deve ser a bandeira de um deputado, precisamos unir o Amazonas: governador, deputados federais e estaduais, prefeitos. Além de articulações políticas, tenho tentando de todas as formas sensibilizar o ministro Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) que, inclusive, é muito ativo no Twitter, de ele falar algo sobre a BR-319. Ele já recebeu vários governadores de Estado com suas bancadas. E todos os governadores que ele recebeu, fez publicações afirmativas em relação às BRs.

RC: O senhor citou visitas de governadores ao ministro de Infraestrutura. Semana passada houve a primeira visita do governador Wilson Lima à equipe do ministro da Economia. Como o senhor avaliou o resultado desta conversa? Foi o momento correto?

Marcelo Ramos: Não podemos negar a boa intenção do governador. O Wilson é um cara cheio de boas intenções. Mas isso não é o suficiente. Uma conversa com o ministro Paulo Guedes que é um técnico profundamente conhecedor da estrutura fiscal do nosso País, e alguém que tem enraizado nas suas convicções ideológicas e visão de mundo, a contrariedade de incentivos fiscais. Precisamos ir para uma reunião dessa altamente preparados, levando números muito consistentes em relação ao nosso modelo, mostrando que a gente arrecada muito mais impostos federais que renuncia.

RC: Estamos a menos de dez dias do início dos trabalhos legislativos. O governador Wilson já reuniu ou marcou reunião com a bancada?

Marcelo Ramos: Não e eu acho até que está na hora, né? Vamos assumir o mandato dia 1º. Não tenho dúvida, e aí me julgo até no direito de falar em nome da bancada inteira, mas todos nós estamos com muita disposição de ajudar o governo. Agora, claro que o protagonismo deste ato não pode ser de um deputado. Eu penso que o governador tem que preparar uma pauta. Veja: a Fieam já nos chamou e apresentou sua pauta. Comércio nos chamou. Então, qual a pauta prioritária do governo estadual? Até porque as coisas vão ocorrer de maneira muito rápida a partir de primeiro de fevereiro.

RC: O senhor já deixou claro o seu voto para a presidência da Câmara em Rodrigo Maia.

Marcelo Ramos: Não tenho problema com esse negócio de voto aberto (risos). Rodrigo Maia fez um gesto concreto para mim em relação ao PIM quando, a meu pedido, colocou para votar na última sessão do ano legislativo um projeto de lei que estava parado há muito tempo lá, que foi o projeto de renovação dos incentivos fiscais da área da Sudam e Sudene. E, numa Câmara dominada por extremismos, de esquerda e de direita, precisamos de uma palavra de moderação para equilibrar isso. Ele simboliza isso e, inclusive, estará aqui dia 24 reafirmando esse compromisso como o povo do Amazonas.

RC: Qual a agenda dele aqui? O objetivo é reunir com a bancada do Amazonas?

Marcelo Ramos: Estamos montando. Reunir com a bancada. Claro, com outras lideranças políticas do Estado. Deve ir o governador, senador Omar (Aziz) que tem uma relação muito próxima com ele. Mas o objetivo é reafirmar um compromisso com os interesses do povo do Amazonas.

RC: A maioria dos deputados do Amazonas já declarou voto em Rodrigo Maia, menos o deputado José Ricardo que defende candidatura alternativa a dele. Ele será convidado à reunião?

Marcelo Ramos: Acho que o convite será a todos. Agora, você decide onde você vai e onde você não vai. Não cabe a mim avaliar a conduta do José Ricardo. Tem um compromisso com o partido dele. Mas, como o voto é secreto, tenho certeza quem quase a metade votará em Rodrigo Maia.

Foto: Assessoria de comunicação Marcelo Ramos

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