Como parte do processo de ressignificação do culto ao orixá da comunicação de religiões de matrizes africana, Manaus vai receber, no dia 30 de setembro, a 1ª Marcha para Exú, com concentração na Praça da Polícia e destino final na Praça do Congresso, ambas no Centro de Manaus, Zona Sul da cidade. Com o tema “Exú não é satanás”, a programação gratuita inicia às 14h, com saída às 15h, e tem previsão de término às 21h.
A realização, na capital amazonense, é da Associação de Desenvolvimento Sócio Cultural Toy Badé, com organização da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro de Matriz Africana (Aratrama) junto às organizações e casas de axé filiadas, associações culturais, sociais, sindicais, estudantis, de folclore e carnavalescas.
O percurso da 1ª Marcha para Exú inicia na Praça da Polícia e segue pela Avenida 7 de Setembro até o cruzamento desta via com a Avenida Eduardo Ribeiro, onde ocorrerá a primeira parada do trio elétrico. Depois, segue pela Avenida Eduardo Ribeiro até o cruzamento com a Rua 24 de Maio, onde será a segunda parada. A terceira parada ocorrerá no cruzamento da Avenida Eduardo Ribeiro com a Rua 10 de Julho. O trajeto, então, segue pela Avenida Eduardo Ribeiro até a Praça do Congresso. (Veja o mapa do trajeto abaixo)


Ressignificação
Para as religiões de matriz africana, Exú é a divindade que representa o mensageiro, a circulação da ideia, a comunicação, o cuidador da segurança. Pai Alberto Jorge lembra que o orixá é habitualmente associado ao uma figura demonizada, com chifres, rabo e tridente, daí a importância de ressignificar a imagem.
“Diante de uma reflexão mais profunda desse significado e ressignificado, considerou-se que o ponto mais importante seria trabalhar entre nós mesmo e, na sociedade, que essa figura não é satanás, não tem nada a ver com o demônio da cultura hebraico, cristã e muçulmana“, explica ele, pontuando que a marcha já existe no Brasil há mais de dez anos, mesmo sendo a primeira vez em Manaus.

O coordenador-geral da Aratrama também descartou a possibilidade da 1ª Marcha para Exú ser uma afronta à Marcha para Jesus, que leva o público evangélico para as ruas de várias cidades do País.
“Até mesmo entre nós, existem aqueles que acham que fazer uma Marcha para Exú seria uma afronta à Marcha para Jesus. Então, no debate que se estabeleceu entre nós, colocamos que existem as marchas das Margaridas, da Maconha, das Mulheres, para Zumbi, e nenhuma delas se considera uma ofensa ou uma tentativa de rivalizar com a Marcha para Jesus. A Marcha para Exú está dentro de um conceito holístico e não vemos como forma de afronta ou qualquer ofensa contra a Marcha para Jesus”, afirma ele.





