
Nayla Maria Gonçalves, mãe de Luísa Fernanda, de 5 anos, morta a marteladas pelo pai, prestou novo depoimento na 34ª DP (Bangu), na tarde desta quarta-feira (4) no inquérito que investiga as agressões físicas, sexuais, morais e psicológicas cometidas por David Souza Miranda, seu ex-companheiro e apontado como autor dos homicídios – Ana Beatriz, de 4 anos, sobrinha de Nayla também foi morta na ação. David cometeu o crime no último dia 22 de setembro, em Senador Camará, na Zona Oeste, e está sendo investigado também pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Nayla voltou a relatar as agressões sofridas ao longo dos nove anos de relacionamento. Segundo ela, a filha apanhava constantemente do pai e não conseguia comer na presença dele, pois vomitava de medo. Também disse às autoridades que David a batia na frente da criança e a ameaçava para que não contasse nada a terceiros.
Nayla e David começaram a se relacionar quando tinham 16 e 32 anos, respectivamente. Durante os nove anos de namoro, a mulher diz que David a impedia de sair de casa sozinha e que foi obrigada a parar de estudar. Ela também não podia ter celular e nem redes sociais por causa de ciúme.
Em depoimento, ela ainda revelou que era obrigada a ter relações sexuais com David e que no ano passado foi estuprada por ele e pelo filho de David, Christian Miranda, de 18 anos. O jovem negou as acusações em um vídeo publicado nas redes sociais logo após a prisão do pai.
Do lado de fora da delegacia, familiares fizeram um protesto silencioso pedindo celeridade e justiça nos processos que envolvem David. Parentes levaram cartazes com fotos das crianças e também da tia delas, Natasha Maria Silva Gonçalves de Albuquerque. A mulher foi queimada e torturada no dia do crime por David, mas sobreviveu e está internada em estado grave. Ela está internada no Hospital Municipal Pedro II.
Alexander Gomes, primo de Nayla, diz que a família ainda não conseguiu viver o luto, pois precisa se manter forte por Natasha, que corre risco de vida. “Não foi só a morte das crianças, mas a Natasha também está internada e foi uma vítima. Nem os médicos sabem como ela conseguiu sobreviver porque não foram apenas queimaduras, mas ela também sofreu com marteladas na cabeça”, afirma.
O familiar também conta que só começou a perceber as atitudes suspeitas de David após a tragédia. “Eu vi poucas vezes o David, já que ele a mantinha em cárcere privado. A gente, hoje, se sente mal por não ter visto ela pedindo socorro e isso vale como um alerta para as outras famílias. A Nayla está viva, mas perdemos praticamente três pessoas, já que a Natasha está em um estado muito grave”.
Ainda segundo o primo de Nayla, David parecia ser uma “boa pessoa” e um “homem tranquilo” durante as reuniões em família. “Hoje percebemos detalhes, como por exemplo o fato dele nunca deixar a Nayla sozinha, nem nas idas ao banheiro. Nosso maior propósito aqui hoje é para que ele não saia da cadeia. A gente só pede justiça”, desabafou.
Na saída da delegacia, a advogada de Nayla, Helen Castillo, apontou que a Justiça deveria ter autorizado medida protetiva para todos da família das vítimas, já que David já havia os ameaçados anteriormente. “Ele falou “se eu não pegar você eu pego a sua familia”, e mesmo assim só foi deferido medida protetiva para Nayla e foi orientado que a Natasha fizesse a mediação da visita. Foi uma decisão muito prematura da Justiça”, diz a advogada.




