Policiais são presos suspeitos de integrar milícia em Manaus

Foto: Neto Silva

Nove pessoas, entre elas quatro policiais da Força Tática, um perito da Polícia Civil outros policiais militares de Cicoms da cidade, foram presos na manhã de hoje (29), durante a “Operação Militia”, da Promotoria Especializada no Controle Externo da Atividade Policial (PROCEAP).

Os alvos são suspeitos de integrar uma milícia e cometer crimes de roubos e extorsão em Manaus. A operação ocorreu na sede da Força Tática, no bairro Praça 14, onde foram cumpridos não só mandados de prisão, mas também de busca e apreensão.

A investigação em torno do caso começou a partir da divulgação do vídeo de um  dos sequestro que foi registrado por câmeras de segurança.

“Essa abordagem foi filmada por populares e contou com um Corolla que abordou por trás, um veículo Ônix, onde estava a vítima, e pela frente uma S10 branca. Essa vítima teve a janela do carro quebrada e foi sacada de dentro do veículo e dali em diante ela sumiu ficando até a tarde assim, até que a tarde ela foi finalmente liberada e encontrada por uma equipe da Roca na proximidade da rua Mata-mata, no bairro Santa Etelvina”, diz o promotor Armando Gurgel.

O homem foi levado pelos agentes e obrigado a transferir grandes quantias em dinheiro. O mesmo grupo, já havia tentado sequestrar a vítima outras vezes, sendo uma no dia anterior ao rapto que foi bem sucedido. A partir daí, os investigadores identificaram outras vítimas, como um casal que vivenciou a mesma situação e teve mais de R$ 300 mil extorquidos pelos policiais. Durante a apuração, foi descoberto que os acusados tinham o mesmo modus operandi em todos os casos e selecionavam minuciosamente seus alvos.

“Eles usavam os próprios veículos com placa fria para cometer os crimes e selecionavam alvos com quem tinham algum tipo de atividades criminosas ou tinham parentes envolvidos com esse tipo de atividade, ou ainda pessoas que estão sob investigação (…) A ideia desses agentes era a busca por dinheiro, armas, drogas, alguma coisa que eles pudessem angariar e posteriormente converter em alguma vantagem econômica”, explica.

O promotor afirmava que suspeitos usavam sempre balaclavas, coletes, com roupas manga longa, para esconder o corpo e possíveis tatuagens, armas longas e agiam como estivessem realmente fazendo uma abordagem policial. Eles encurralavam os veículos das vítimas, as retiravam do mesmo e em seguida as levavam, com o rosto coberto, para cativeiros.

Um dos sequestrados chegou a ser levado para a própria casa de um PM que integrava o grupo. “A abordagem que iniciou as nossas investigações aconteceu à luz do dia, foi filmada e amplamente divulgada na imprensa. Aconteceu no dia 14 de fevereiro deste ano. Nós começamos as investigações, alcançamos alguns indícios de autoria e conseguimos descobrir uma das ações quando ela tinha acabado de acontecer, há poucos dias. Chegamos as vítimas, que não tinham coragem de denunciar inicialmente, mas com o acolhimento do MP, foi possível ouvir essas vítimas e colher mais detalhes que nos ajudaram nessa operação de hoje”, diz Gurgel.

Uma das vítimas chegou a escapar de uma das tentativas de sequestro e teve o carro crivado de tiros pelos policiais. Por pouco um dos disparos não a atingiu na cabeça. Até o momento, três vítimas foram identificadas e ouvidas, mas o MP acredita que existam muito mais. A suspeita é que os milicianos tenham arrecadados em torno de R$ 500 mil nas extorsões levando em consideração dinheiro, bens e veículos que foram roubados nas ações.

Vale destacar que dos nove agentes presos, apenas uma prisão, que é a do perito é temporária, todas as demais são preventivas. Os nomes dos acusados não foram divulgados, mas a PM se manifestou e por meio do coronel Klinger Araújo, afirmou que está colaborando com as investigações e que apoia a punição dos envolvidos. Ele disse ainda que os presos de hoje não representam a corporação e mais de 2,5 mil agentes da Polícia Militar.

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