A publicação do extrato de empréstimo de R$ 12 bilhões para os Correios, oficializada neste sábado (27) pelo Ministério das Comunicações, acendeu um debate recorrente na economia brasileira: o custo de oportunidade. Enquanto o montante visa a reestruturação financeira da estatal e o aporte de capital de giro, especialistas e gestores públicos projetam o impacto que essa cifra teria se fosse integralmente aplicada na educação básica e superior.
O tamanho do investimento
O valor, aprovado pelo Tesouro Nacional e financiado por um consórcio de bancos (Itaú, Bradesco, Santander, BB e Caixa), equivale a quase um quarto de todo o orçamento anual de manutenção do Ministério da Educação (MEC). Com juros de 115% do CDI e 15 anos para pagar, a operação foca em salvar a viabilidade do serviço postal, mas o “valor de face” impressiona quando convertido em benefícios sociais.
Educação: O cenário alternativo
Se os R$ 12 bilhões fossem canalizados para o ensino público, o cenário de infraestrutura no Brasil poderia sofrer uma transformação estrutural. De acordo com estimativas baseadas em custos médios de programas federais, o recurso seria suficiente para:
Infraestrutura física: Construção de 2.400 novas escolas de grande porte ou a reforma e climatização de 24 mil unidades escolares, atacando o déficit histórico de conforto térmico em regiões como o Norte e Nordeste.
Inclusão Digital: A compra de aproximadamente 8 milhões de tablets, o que permitiria equipar quase a totalidade dos alunos do Ensino Médio da rede pública nacional com dispositivos próprios.
Educação Infantil: A construção de cerca de 4.000 novas creches, reduzindo drasticamente as filas de espera que afetam milhões de famílias brasileiras.
Ensino Superior: O custeio integral de todas as universidades e institutos federais do país por um período de até três anos, garantindo o funcionamento de laboratórios e assistência estudantil.
Empréstimo vs. Gasto Direto
Diferente das verbas da educação, que são transferências diretas de orçamento, o aporte aos Correios é uma operação de crédito. O Tesouro Nacional atua como garantidor, mas a expectativa é que a estatal gere lucros futuros para quitar a dívida.
O governo justifica a medida como necessária para evitar que os Correios se tornem uma “estatal dependente”, o que exigiria aportes constantes e definitivos do Tesouro para pagar salários — algo que, a longo prazo, poderia custar ainda mais aos cofres públicos.





