O tabuleiro político do Amazonas, historicamente movido por alianças de conveniência, acaba de entrar em uma fase de ebulição que redefine as expectativas para 2026. O rompimento do silêncio de Tadeu de Souza (Avante) não é apenas um desabafo de um vice-governador isolado; é o levante de um quadro técnico de elite contra um modelo de política que prioriza o espetáculo em detrimento da substância.
Da Procuradoria ao isolamento: A trajetória da seriedade
Tadeu de Souza não caiu de paraquedas na política. Sua base é o Direito Público. Como Procurador-Geral do Estado, Tadeu foi o arquiteto jurídico de momentos cruciais do Amazonas, sendo reconhecido por sua capacidade de blindar a administração pública contra ilegalidades. Foi essa mesma seriedade que ele levou para a Casa Civil de Manaus e, posteriormente, para a chapa vitoriosa ao lado de Wilson Lima.
No entanto, o que se vê hoje é um paradoxo: o homem que foi o fiador da transição de David Almeida e o ponto de equilíbrio técnico do governo estadual, agora enfrenta uma tentativa deliberada de “apagamento”. Fontes de bastidores confirmam que o esvaziamento da agenda de Tadeu é uma manobra coordenada para abrir espaço para figuras cuja principal credencial é o domínio da máquina de propaganda.
O fator Renato Junior e o conflito ético
O pivô da crise, o ex-secretário Renato Junior, representa a antítese de Tadeu. Enquanto Tadeu construiu sua vida pública sobre o alicerce dos concursos, do estudo jurídico e do trabalho silencioso, o grupo de Renato Junior é alvo de questionamentos sobre a rapidez com que o poder político se transformou em influência econômica e controle mediático.
2026: Tadeu como o antídoto ao sistema
Com a possibilidade de Wilson Lima deixar o governo para disputar o Senado em 2026, a linha de sucessão torna-se o campo de batalha. Tadeu de Souza surge como o nome mais forte para enfrentar o senador Omar Aziz por uma razão simples: ele é o único que o sistema não consegue dobrar.
Voz à Zona Franca: Diferente de quem faz da defesa do modelo um palanque eleitoral, Tadeu viveu o Distrito Industrial como industriário. Ele entende a economia real, não apenas a das planilhas.
Independência Institucional: Ao denunciar o próprio isolamento e a falta de diálogo com o governador, Tadeu demonstra que sua lealdade é com o cargo e com o povo, não com acordos de bastidores que visam o enriquecimento de grupos isolados.
O “Davi” contra o Marketing: Enquanto Renato Junior e Omar Aziz operam através de fatias consideráveis da mídia local e da SEMCOM, Tadeu de Souza aposta na verdade dos fatos e na sua ficha limpa.
A política amazonense está cansada de personagens criados em laboratórios de marketing. A “pernada” estratégica que Tadeu prepara é, na verdade, um retorno à ordem. Ao questionar como a “conta fecha” para certos aliados e ao reivindicar seu espaço de direito, Tadeu de Souza deixa de ser o “vice técnico” para se tornar o candidato natural de todos os que desejam um Amazonas gerido com seriedade, e não como um negócio de ocasião.
O recado de Tadeu está dado: o Amazonas não tem dono, e a competência técnica não aceita mais o banco de reservas. Em 2026, o embate não será apenas entre nomes, mas entre a ética da gestão de Tadeu e o apetite voraz de quem confunde o público com o privado.
Sobre o Autor:

Ronaldo Aleixo
É jornalista (DRT 96423/SP), filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e ao Sindicato dos Jornalistas de Roraima (Sinjoper). Tecnólogo em Marketing pela Uninter-AM, possui pós-graduações em Jornalismo Digital, Jornalismo Investigativo, Docência do Ensino Superior e Gestão de Mídias Sociais, além de um MBA em Ciência Política: Relações Institucionais e Governamentais, todos pela Uninter-PR. Atualmente, é pós-graduando em Direito Digital pela PUC-RS, com conclusão e defesa de TCC previstas para janeiro de 2026.





