A Matemática do Impossível: Enriquecimento de secretário e rebelião de Tadeu de Souza encurralam Prefeito de Manaus

MANAUS – O cenário político do Amazonas para as eleições de 2026 acaba de sofrer um abalo sísmico. O que antes era vendido pela gestão municipal como um grupo coeso em direção ao Governo do Estado, revelou-se uma “paz armada” que acaba de romper. No centro da crise, dois personagens e duas realidades colidem: de um lado, a ascensão financeira meteórica do ex-secretário Renato Junior; do outro, o grito de isolamento do vice-governador Tadeu de Souza.

O fenômeno Renato Junior: O Salto dos Milhões

Enquanto o cidadão manauara enfrenta o custo de vida crescente, os bastidores da política local assistem a um milagre financeiro. Renato Junior, braço direito do prefeito David Almeida, registrou uma evolução patrimonial que desafia qualquer lógica de mercado. Em apenas seis anos — período em que comandou as poderosas secretarias de Agricultura (Semacc) e Infraestrutura (Seminf) —, seu patrimônio saltou de modestos R$ 30 mil para impactantes R$ 3,15 milhões.

A valorização de mais de 10.000% levanta questionamentos sobre a eficácia (ou conveniência) dos órgãos de controle. Por que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Ministério Público do Amazonas (MPAM) permanecem em “silêncio de mármore” diante de números tão discrepantes? A rapidez com que a conta de Renato Junior fechou é hoje o maior “calcanhar de Aquiles” para a imagem de probidade que David Almeida tenta projetar.

A “Pernada” de Tadeu de Souza

O descontentamento não é apenas externo. O vice-governador Tadeu de Souza, peça-chave na articulação com o Estado, parece ter chegado ao limite do isolamento institucional. Fontes exclusivas confirmam, via mensagens de WhatsApp devidamente registradas, que Tadeu prepara uma ofensiva estratégica contra as pretensões de Renato Junior, a quem acusa de “ganância política”.

Tadeu de Souza estaria sendo escanteado por um núcleo duro que utiliza a Secretaria de Comunicação (SEMCOM) não apenas para autopromoção, mas como artilharia contra opositores e até aliados, como o senador Omar Aziz. O racha expõe a fragilidade da base governista: David Almeida agora luta para manter o controle de um grupo que começa a se canibalizar.

A Máquina Digital vs. O Sentimento da Rua

A análise técnica do especialista em marketing Ronaldo Aleixo reforça que a crise é também de imagem. A “maquinaria digital” da Prefeitura, apesar do alto investimento, perdeu o fôlego orgânico. Enquanto David Almeida amarga uma rejeição que beira os 63% — alimentada pela percepção de promessas não cumpridas —, nomes como Omar Aziz e Maria do Carmo ocupam o espaço de relevância no Instagram e nas ruas.

A audiência já não compra o “post de asfalto” com o mesmo entusiasmo de outrora. Para o eleitor, o contraste entre as obras superficiais e a fortuna acumulada pelos gestores dessas obras tornou-se um ruído impossível de ignorar.

2026 sob neblina

O sonho de David Almeida de trocar o Paço Municipal pela sede do Governo em 2026 enfrenta agora três barreiras quase intransponíveis:

O Teto Jurídico: O risco de inelegibilidade pelas contas de 2017 na ALEAM.

O Racha Interno: A rebelião de Tadeu de Souza e a exposição de Renato Junior.

A Rejeição Popular: Um eleitorado que, segundo pesquisas, já não vê no prefeito a renovação que ele um dia prometeu.

O tabuleiro entrou em ebulição. Se David Almeida decidir renunciar à prefeitura em abril para concorrer ao governo, poderá entregar a máquina a um grupo fragmentado e sob a mira de investigações que podem, finalmente, despertar do sono profundo.

Nota de Transparência: Este espaço permanece aberto para que os citados — Renato Junior, David Almeida e Tadeu de Souza — apresentem seus esclarecimentos, garantindo o direito ao contraditório e a busca pela verdade dos fatos.

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