O janeiro branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, também chama atenção para condições físicas que afetam diretamente o equilíbrio emocional. Entre elas, os problemas urológicos têm papel relevante, tanto como fator desencadeante quanto como consequência de transtornos mentais, alerta o presidente da seccional amazonense da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), cirurgião urologista Giuseppe Figliuolo.
Profissional da Urocentro Manaus, Figliuolo explica que alterações no funcionamento do trato urinário e do sistema reprodutor podem gerar impactos significativos na autoestima, na vida social e nas relações afetivas, favorecendo quadros de ansiedade, estresse e até depressão, especialmente quando não tratados. Ao mesmo tempo, distúrbios emocionais podem agravar ou até desencadear sintomas urológicos, criando um ciclo que compromete a qualidade de vida do paciente.
Entre os principais problemas urológicos associados a transtornos mentais estão a disfunção erétil, frequentemente relacionada à ansiedade de desempenho, depressão e estresse crônico; a ejaculação precoce, que pode ter forte componente psicológico; e a diminuição da libido, comum em pacientes com depressão ou em uso de medicamentos psiquiátricos.
Distúrbios miccionais também merecem destaque. “A bexiga hiperativa, caracterizada por urgência urinária e aumento da frequência das micções, apresenta relação direta com quadros de ansiedade. Já a incontinência urinária pode provocar isolamento social, vergonha e queda da autoestima, contribuindo para o desenvolvimento ou agravamento de transtornos emocionais”, afirma Figliuolo, que é doutor em Saúde Pública.
Outro ponto de atenção, conforme o especialista, é a dor pélvica crônica, condição que afeta homens e mulheres e costuma estar associada a estresse prolongado, ansiedade e depressão. “Em muitos casos, o sofrimento emocional intensifica a percepção da dor, dificultando o tratamento quando não há uma abordagem multidisciplinar”, alerta o urologista.
O câncer também pode gerar abalo psicológico. “O tratamento de doenças como o câncer de próstata, por exemplo, pode gerar reflexos na saúde mental. Por isso, é tão importante que a assistência ao paciente ocorra de forma integral”, frisou.
Multidisciplinaridade
Giuseppe Figliuolo reforça que cuidar da saúde urológica vai além do tratamento dos sintomas físicos. A avaliação do estado emocional do paciente e, quando necessário, o encaminhamento para acompanhamento psicológico ou psiquiátrico são fundamentais para o sucesso terapêutico.
No contexto do janeiro branco, a orientação do especialista é a seguinte: sinais urológicos persistentes não devem ser ignorados, especialmente quando vêm acompanhados de alterações no humor, no sono ou no comportamento. “A integração entre urologia e saúde mental é essencial para um cuidado mais completo, humanizado e eficaz”, concluiu.
Serviço
Dr. Giuseppe Figliuolo atende na Clínica Urocentro Manaus – rua Fortaleza, Adrianópolis.





