MANAUS – O que deveria ser uma gestão técnica e transparente na Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) de Manaus assume contornos de perseguição institucional. Após o jornalista Ronaldo Aleixo, diretor do Portal Chumbo Grosso, denunciar um esquema de retenção de pagamentos e “asfixia financeira” que atinge veículos locais, a resposta da gestão de David Almeida não veio em forma de esclarecimentos, mas de punição: a secretária Camila Silva ordenou a retirada imediata do banner publicitário do portal.
A medida, interpretada como uma tentativa explícita de silenciamento e censura econômica, ocorre poucos meses após Camila Silva assumir a pasta com o desafio de gerir um orçamento que, somente no último quadrimestre de 2025, movimentou mais de R$ 48 milhões.
O Gatilho da Perseguição: Onde está o dinheiro?
A retaliação institucional teria sido motivada pela exposição de um paradoxo financeiro no Portal da Transparência da Unidade 190101 (SEMCOM). Segundo os dados oficiais, a Prefeitura efetuou pagamentos vultosos entre setembro e dezembro de 2025, com um pico de R$ 23,5 milhões apenas em outubro.
No entanto, o Portal Chumbo Grosso revelou que, na ponta final, o dinheiro não chega. Diversas campanhas executadas e comprovadas seguem sem pagamento, incluindo:
IPTU Premiado 2025
Manaus 356 Anos
Boi Manaus 2025
Um Sonho Mágico de Natal
“Trabalhamos, emitimos as notas e exigimos receber. O dinheiro não pertence ao prefeito, é recurso público que deve honrar serviços prestados”, afirma o jornalista Ronaldo Aleixo.
A Estratégia do “Vácuo Financeiro” e o Papel das Agências
A denúncia aponta para uma prática perversa: a SEMCOM e a SEMEF manteriam um hiato proposital de pagamentos, retendo notas fiscais para escolher, de forma discricionária e política, “quem” e “quando” pagar.
O caso agora ganha contornos de investigação necessária para o Ministério Público (MP-AM) e o Tribunal de Contas (TCE-AM). O questionamento central é: se as agências contratadas (Thera, Digital e Mene Portella) receberam os repasses milionários da SEMCOM, por que os veículos que efetivamente veicularam as campanhas não foram pagos?
Liberdade de Imprensa sob Ataque
Ao cortar o banner do Portal Chumbo Grosso em resposta a uma denúncia fundamentada em dados públicos, a secretária Camila Silva e a gestão David Almeida ferem o Princípio da Impessoalidade. O uso da verba publicitária como “chicote” para castigar críticos ou como “cenoura” para premiar aliados é uma prática que remete aos períodos mais sombrios da política regional.
Em nota de repúdio, o Portal Chumbo Grosso reafirma que não se curvará a tentativas de intimidação. A asfixia financeira imposta pela prefeitura não atinge apenas um CNPJ, mas o sustento de famílias e o direito da população de Manaus à informação sem amarras.
A sociedade amazonense agora aguarda o posicionamento dos órgãos de controle. O silêncio do TCE e do MP diante de uma denúncia de R$ 48 milhões e de um ato de retaliação clara seria um endosso perigoso ao autoritarismo na capital.





