MANAUS – Após uma mobilização intensiva de pouco mais de 30 horas, as forças de Segurança Pública do Amazonas prenderam, na madrugada deste sábado (24/01), Fernando Batista de Melo, de 48 anos. Ele é o principal suspeito de assassinar o próprio filho, uma criança de apenas três anos, com golpes de faca e agressões físicas. O crime ocorreu na última quinta-feira (22/01), no bairro Cidade de Deus, zona norte da capital, e causou profunda comoção popular.
A prisão ocorreu por volta de 1h30 da manhã em uma área de mata na avenida Esther Lanna, bairro Tarumã, zona oeste. O êxito da operação foi atribuído à integração entre a Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e órgãos de inteligência.
De acordo com o secretário executivo de Operações, André Ribeiro, foram utilizados recursos tecnológicos e aéreos, como o sistema de monitoramento “Paredão” e o helicóptero do Departamento Integrado de Operações Aéreas (DIOA). O cerco estratégico foi montado após o rastreio do GPS da motocicleta utilizada na fuga, abandonada no bairro Planalto, e denúncias de populares.
No momento da abordagem, Fernando tentou enganar os policiais afirmando que estava apenas praticando atividade física. No entanto, acabou confessando sua identidade e foi detido sem resistir.
Dinâmica Cruel do Crime
As investigações da Polícia Civil apontam que o crime foi motivado pelo inconformismo de Fernando com o fim do relacionamento de quatro anos com a mãe da vítima. Segundo relatos, o suspeito já vinha fazendo ameaças com facas e negligenciando o sustento dos filhos.
Na tarde do crime, Fernando foi à casa de seu pai, onde a criança estava. Sob o pretexto de dar banho no filho, ele se trancou no banheiro. Diante da demora, o avô da criança insistiu para que a porta fosse aberta, deparando-se então com a cena do crime. Segundo a polícia, o suspeito teria:
Arremessado a criança violentamente contra a parede;
Desferido diversos golpes de faca contra o menino.
Procedimentos Judiciais
Fernando foi conduzido à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Durante o depoimento, ele exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio.
O delegado-adjunto Adanor Porto informou que o suspeito deve ser indiciado por homicídio triplamente qualificado, considerando:
Motivo torpe (vingança contra a ex-parceira);
Meio cruel (brutalidade das agressões);
Impossibilidade de defesa da vítima.
A movimentação policial gerou revolta na cidade. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram populares acompanhando o comboio policial, em uma tentativa de linchamento, contida pelas autoridades para garantir a integridade do processo legal.





