O desabafo de uma amazonense de Lábrea em Manaus
“Saí de Lábrea com o coração cheio de sonhos, vindo para a nossa capital em busca de uma vida melhor, mas o que encontrei foi uma Manaus que chora de descaso. Me pergunto todos os dias, ao desviar de crateras que mais parecem abismos: o que vale mais para esses que nos governam? O brilho do poder ou a dignidade do manauara?
É revoltante ver esses senhores com o microfone na mão, batendo no peito com um orgulho falso de serem amazonenses. Dizem que amam nossa terra, mas não têm um pingo de zelo pelas ruas que pisamos. Eles falam em ‘crescimento’ enquanto nós perdemos o que temos. Meu carro, que deveria ser meu conforto, hoje faz barulho de lata velha; cada buraco é um soco no estômago de quem trabalha honestamente para pagar impostos altíssimos.
A intenção deles parece ser uma só: transformar os quatro cantos da cidade em um balneário de lama e abandono. Cadê a empatia? Cadê o respeito básico por quem colocou cada um deles naquela cadeira macia?
Eu clamo por mais amor a Manaus! Pois, no fim das contas, o poder que vocês ostentam não é eterno. Vocês não são maiores que o destino e muito menos que a justiça divina. Para onde cada um de nós vai quando o ciclo acabar, é o que me conforta, porque aqui embaixo, a conta do descaso de vocês está saindo cara demais para o cidadão de bem.
Manaus não merece ser tratada como um curral eleitoral de ruas esburacadas e promessas vazias. Merecemos respeito!”
Assina: Uma cidadã de Lábrea, entristecida com o caos de Manaus.

Vangela Costa e Silva @Vangela Freitas
Texto: Vangela Freitas, adaptação Ronaldo Aleixo.
Foto montagem: Rubson Madeira/Cobras da Direita. O encrequeiro.





