BRASÍLIA – O Supremo Tribunal Federal (STF) vive um de seus momentos mais tensos em décadas. Após o ministro Dias Toffoli deixar a relatoria do caso Banco Master na última quinta-feira (12), sob pressão de um relatório explosivo da Polícia Federal, os bastidores da capital agora fervem com uma pergunta: o que acontece se o ministro renunciar ao cargo?
A saída voluntária de um ministro do Supremo é um evento raríssimo e capaz de alterar profundamente o equilíbrio de forças na República. Se o “Plano de Retirada” de Toffoli se concretizar, o impacto seria sentido em três frentes imediatas.
- A luta pela cadeira e a nova indicação
Com a renúncia, a vaga de Toffoli — que legalmente poderia ser ocupada por ele até 2042 — torna-se aberta para o atual Presidente da República.
A escolha: O governo ganha a chance de indicar um perfil que possa reorganizar a base aliada ou fortalecer sua influência no tribunal.
A Sabatina: O Senado Federal voltaria ao centro do palco. No cenário atual de 2026, com um Congresso fragmentado, a aprovação de um novo nome seria uma batalha política de alto custo para o Planalto.
- O destino das investigações: O fim do foro?
Diferente do que ocorria no passado, a renúncia não garante mais o envio imediato de processos para a primeira instância.
Jurisprudência de 2025: Conforme decidido pela própria Corte no ano passado, se os supostos crimes (como os citados no Caso Master e a relação com o resort Tayayá) ocorreram no exercício do cargo de ministro, o STF mantém a competência para julgá-lo.
Continuidade: As investigações agora sob relatoria de André Mendonça continuariam seu curso. Sem a “capa” do cargo, Toffoli passaria a ser investigado como um cidadão comum, mas sob o escrutínio rigoroso do tribunal que um dia integrou.
- O Impeachment e a blindagem do centrão
No Congresso, a renúncia teria um efeito prático imediato: o esvaziamento dos pedidos de impeachment protocolados pela oposição.
Como o impeachment visa a perda do cargo, o processo perde o objeto se o ministro sair por conta própria. Para os aliados de Toffoli no “Centrão”, a renúncia seria vista como uma “saída honrosa” para estancar o desgaste da imagem do Judiciário e evitar uma crise institucional ainda maior entre os poderes.
O contexto do desgaste
A crise atingiu o ponto de ebulição após a PF identificar mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro citando pagamentos e uma sociedade oculta do ministro. Embora o STF tenha publicado uma nota de apoio formal a Toffoli após ele deixar a relatoria, o clima nos corredores é de que a situação se tornou “insustentável” para uma permanência de longo prazo.
Próximos Passos: Acompanharemos se o ministro seguirá o caminho da resistência, apostando no apoio de seus pares, ou se a pressão dos novos relatórios da PF forçará o desembarque definitivo da Suprema Corte.
Ministro Dias ToffoliFoto: Rosinei Coutinho/STF + Gemini





