O cenário político do Amazonas assistiu a uma movimentação que redefine o tabuleiro para 2026: a filiação do vice-governador Tadeu de Souza ao Progressistas (PP). O que nasceu como um movimento de “independência” para consolidar sua pré-candidatura ao Governo do Estado, revelou-se uma manobra de alto risco que coloca em xeque a imagem de “novo” que o acompanhava.
A Origem e a Ruptura
Tadeu de Souza surgiu no cenário majoritário como um perfil técnico e discreto, apadrinhado pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante). Sua indicação para a vice-governadoria em 2022 foi o selo de uma aliança estratégica. No entanto, ao migrar para o PP e alinhar-se incondicionalmente ao governador Wilson Lima, Tadeu não apenas rompeu com seu criador político, mas abriu mão da neutralidade que o protegia das falhas da gestão estadual.
O peso da “Herança Maldita” e o desempenho nas urnas
Ao assumir o protagonismo como o sucessor natural do grupo de Wilson Lima, Tadeu deixa de ser um observador técnico para se tornar o fiador de uma gestão marcada por crises sensíveis. O “novo” candidato agora carrega o peso de problemas crônicos que já refletem em seu desempenho nas pesquisas:
Números de Alerta: Pesquisas recentes (como as da Census e Perspectiva de dezembro de 2025) mostram Tadeu flutuando entre 7% e 11% das intenções de voto. Ele aparece bem atrás de nomes consolidados como Omar Aziz e Maria do Carmo, indicando que a máquina estatal, sozinha, ainda não foi capaz de transferir popularidade ao vice.
Crise dos Terceirizados: Os atrasos sistemáticos de salários na Saúde e na SEDUC são manchas que Tadeu terá que justificar pessoalmente em palanque.
Desgaste com a Segurança: As reivindicações das forças policiais, como o auxílio fardamento e o escalonamento da PM, deixam de ser “problemas do governador” e passam a ser o passivo político do candidato da continuidade.
De Técnico a Político Tradicional
A estratégia de mudar de sigla para garantir estrutura partidária é uma tática clássica da velha política. Ao trocar o discurso da eficiência técnica pelo jogo de conveniência de legendas, Tadeu de Souza parece ter pulado etapas: ele envelheceu politicamente antes mesmo de disputar sua primeira eleição como cabeça de chapa.
O risco é evidente: tornar-se a “terceira via do mesmo”, um rosto novo defendendo práticas e problemas que o eleitor já conhece — e critica — há décadas.
Tabelas de Referência (Pesquisas Dez/2025)
| Instituto | Cenário | Tadeu de Souza | Líder (Omar Aziz) |
| Census | Estimulada | 7% | 43% |
| Real Time Big Data | Estimulada | 11% | 42% |
| Perspectiva | Com inclusão de Tadeu | 7% | 44% |
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