Brasília, 17 de fevereiro de 2026 – A Polícia Federal deflagrou hoje uma operação que coloca a cúpula da Receita Federal em uma posição política e institucional delicada. Sob a gestão de Robinson Sakiyama Barreirinhas, braço direito do ministro Fernando Haddad, o órgão é alvo de investigação por supostos acessos ilícitos e vazamentos de dados fiscais de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seus familiares.
O Elo Político e a Responsabilidade da Gestão
Nomeado por Haddad em 2023, Barreirinhas não é auditor de carreira, mas um procurador municipal de extrema confiança do ministro, com quem trabalhou na Prefeitura de São Paulo. Sua indicação visava alinhar o Fisco às diretrizes políticas da Fazenda. Agora, essa proximidade é usada pela oposição para questionar se houve falha de controle ou omissão diante da suposta utilização da máquina pública para monitorar autoridades.
A operação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, confirmou que dados de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foram acessados indevidamente. O episódio ocorre em meio à repercussão de um contrato milionário de R$ 129 milhões entre o escritório de Viviane e o Banco Master, fato que vinha sendo explorado por adversários do governo.
Cerco Judiciário e Pressão no Congresso
A decisão de Moraes foi contundente: afastamento de servidores, uso de tornozeleiras eletrônicas e quebra de sigilos bancários e telemáticos. Na decisão, o ministro aponta que os vazamentos teriam o objetivo de criar “suspeitas artificiais” para atacar a credibilidade do Judiciário.
Embora o inquérito ainda não aponte participação direta de Barreirinhas nos acessos, o secretário enfrenta o desgaste de comandar um órgão onde a segurança de dados sensíveis foi rompida. No Congresso, parlamentares já articulam convocações para que o “homem de confiança de Haddad” explique como servidores teriam agido para municiar ataques contra o STF.
O Embate Institucional
O caso abre uma nova frente de tensão entre o Executivo e o Judiciário. De um lado, o governo tenta tratar o episódio como uma falha pontual de servidores; de outro, o STF sinaliza que não tolerará o uso de órgãos de Estado para fins de perseguição ou desgaste de seus membros. O futuro de Barreirinhas à frente da Receita agora depende do desenrolar das perícias telemáticas que podem revelar se houve coordenação superior nos vazamentos.
Foto:João Risi/Seaud/Presidência da República.
Nota da Redação: O espaço permanece aberto para que Robinson Barreirinhas, o Ministério da Fazenda e os demais citados possam se manifestar sobre os fatos narrados. Devido ao feriado nacional, não foi possível estabelecer contato direto com as assessorias até o fechamento desta edição, mas o conteúdo será atualizado assim que houver pronunciamento oficial.





