Jovem de 17 anos se comove com a Amazônia, mobiliza a Starlink e garante internet para 140 escolas isoladas na região

Aos 17 anos, Eric Bartunek articula doação de 140 antenas Starlink para conectar escolas da Amazônia após pedido direto à COO da SpaceX em janeiro de 2025

Arquivo Pessoal: Eric Bartunek durante entrega da primeira antena da Starlink, na comunidade de Barro Alto, em Manicoré, na Amazônia

Aos 17 anos, Eric Bartunek lidera a doação de 140 antenas para levar internet na Amazônia a escolas ribeirinhas, após pedido feito em janeiro de 2025 à COO da SpaceX, com entregas iniciadas em novembro de 2025 em Manicoré.

Internet na Amazônia leva conectividade a 140 escolas ribeirinhas

A iniciativa prevê a instalação de antenas da Starlink em 140 escolas de um distrito amazônico. O pedido foi feito diretamente à presidente e COO da SpaceX, Gwynne Shotwell, em janeiro de 2025, com foco em ampliar o acesso à conectividade em áreas isoladas.

As primeiras antenas foram entregues em novembro de 2025 na comunidade de Barro Alto, em Manicoré, localizada a quase 30 horas de barco de Manaus.

A instalação marcou o início da implementação do projeto nas escolas beneficiadas.

Segundo Eric, a escola interrompeu as atividades por uma hora para acompanhar a chegada e instalação dos equipamentos.

A partir da ativação do serviço, alunos e professores passaram a acessar serviços públicos digitais, planos de aula, ferramentas de gestão, pesquisa e recursos de inteligência artificial.

A conclusão das instalações está prevista para meados de fevereiro. O objetivo central é garantir internet na Amazônia a instituições que não possuem acesso à fibra óptica.
Experiência em Sobral inspirou projeto educacional

A motivação para a iniciativa começou em 2022, durante uma viagem a Sobral, no Ceará, com a Fundação Lemann.

À época com 13 anos, Eric ficou impressionado com a infraestrutura e a qualidade do ensino público do município.

Ele relembra que muitos alunos aprendiam matemática em nível semelhante ao de sua escola particular em São Paulo. A experiência despertou o desejo de ampliar o acesso à educação de qualidade no Brasil.

O contato mais profundo com desigualdades educacionais ocorreu durante estágio no Instituto PROA, ONG que capacita jovens de baixa renda de escolas públicas para o mercado de trabalho.

Ele observou que muitas escolas ribeirinhas só são acessadas por barco e não têm conexão à internet.

“Vi ali uma forma muito clara de ajudar: introduzindo conectividade”, afirma. Para ele, a internet na Amazônia poderia ser implementada por meio de tecnologia via satélite, já que a fibra óptica não chega a essas escolas.

Contato direto com a COO da SpaceX viabilizou doação

Inicialmente, a ideia era levantar recursos dentro de sua própria rede para conectar algumas escolas. Posteriormente, Eric decidiu buscar parceiros para ampliar a escala do projeto.

Após enviar diversos e-mails sem resposta, conseguiu conversar por cerca de dez minutos, via Zoom, com Gwynne Shotwell. Ele apresentou sua ambição e solicitou apoio para conectar 10 das 140 escolas do distrito.

Segundo ele, a executiva informou que a SpaceX estava lançando o Starlink for Good, iniciativa filantrópica da empresa.

Com isso, seria possível doar antenas para conectar todas as 140 escolas, superando a meta inicial.

Eric afirma que nunca imaginou atingir essa escala. “A escala acabou sendo muito maior do que eu esperava”, diz.
Próxima fase foca em impacto pedagógico

Paralelamente à instalação das antenas, Eric trabalha para que a internet na Amazônia gere ganhos concretos de aprendizagem.

Ele conta com o apoio da ONG MegaEdu, do Instituto Escolas Conectadas e do professor Martin Carnoy, economista da Universidade Stanford especializado em educação.

Segundo ele, está sendo criado um treinamento para ajudar professores a utilizar melhor as ferramentas digitais e ampliar seu impacto em sala de aula. A meta é transformar conectividade em resultado educacional.

Eric se forma no ensino médio ainda este ano e pretende iniciar, no segundo semestre, estudos de Economia e Educação em uma universidade dos Estados Unidos. Software para finanças

Após a graduação, afirma que gostaria de retornar ao Brasil para aplicar os aprendizados, possivelmente começando pelo governo.
Outras iniciativas e rotina pessoal

Além do projeto de internet na Amazônia, ele lidera o clube de investimentos de sua escola e participa do Juntos na Tech, iniciativa em parceria com o Unidos de Paraisópolis que ensina programação a jovens da favela em São Paulo.

Filho de Florian Bartunek, sócio-fundador da Constellation, Eric relata ter crescido com incentivo ao estudo e à disciplina. Afirma que o pai foi uma grande inspiração e o apoiou durante todo o processo.

Para lidar com a ansiedade, pratica tênis e muay thai. Diz que o esporte ajuda a controlar o estresse e que estar com amigos contribui para equilibrar escola e projetos.

Aos jovens, aconselha persistência diante de recusas. “Quanto mais ‘nãos’ você recebe, quer dizer que está mais perto está de um ‘sim’”, afirma, reforçando a importância de continuar tentando apesar das dificuldades.

Com informações de Forbes.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui