Manaus amanheceu este 24 de fevereiro sob o brilho metálico dos giroflex. Enquanto a Polícia Federal e a Polícia Civil desfilavam em mais um desdobramento da operação Erga Omnes, o clima nos corredores do poder municipal parecia de uma serenidade quase sobrenatural. Impressiona a resiliência da “turma do prefeito”: com agentes federais nas ruas e mandados de prisão sendo cumpridos, o comentário de bastidor é que ninguém ali sequer perdeu o apetite ou, como diz o ditado popular, “nem peidou” com o barulho das sirenes.
Essa paz de espírito, no entanto, caminha para um teste de estresse digno de laboratório. O Ministério Público do Amazonas (MP-AM) demonstra que a fiscalização sobre a gestão da Secretaria Municipal de Educação (Semed) segue em ritmo acelerado. Com os holofotes voltados para a pasta, cresce a expectativa sobre os próximos passos em relação à gestão de Dulce Almeida. Uma eventual medida judicial poderia ser o balde de água fria necessário para testar se esse “clima de normalidade” da prefeitura é real ou apenas uma estratégia de marketing.
O que se observa na Semed é um cenário que desafia a lógica política tradicional. Mesmo sob o peso de questionamentos públicos que vão da merenda escolar ao uso da máquina, a blindagem da pasta se mantém firme. Essa aparente indiferença diante das operações policiais e investigações do MP coloca a gestão em um modo de espera estratégico, agindo como se a movimentação das autoridades fosse apenas parte da paisagem urbana de Manaus, e não um sinal de alerta máximo.
A pergunta que ecoa na cidade é uma só: o que acaba primeiro? O estoque de óleo de peroba utilizado para polir as versões oficiais ou a paciência dos órgãos de controle, que monitoram cada passo do erário. Enquanto a Erga Omnes busca foragidos e cumpre ordens judiciais, o Ministério Público pavimenta o caminho para cobrar explicações que a educação municipal deve à sociedade. O espetáculo político continua, mas o roteiro parece estar ganhando tons mais dramáticos para quem ocupa os altos cargos do executivo.
Se a estratégia da turma do prefeito é o silêncio e a manutenção da pose diante da pressão, o relógio joga contra. Entre o vaivém das viaturas e o trâmite dos processos, o “Nirvana” administrativo começa a mostrar rachaduras. Resta saber se, quando as decisões de mérito finalmente surgirem, a prefeitura ainda terá óleo de peroba suficiente para sustentar o discurso de “tudo sob controle” ou se o peso dos fatos finalmente romperá a bolha de tranquilidade do gabinete.





