O cenário político do Amazonas ganhou novos contornos nos debates internos do grupo Cobras da Direita, formado por lideranças conservadoras, jornalistas, advogados e influenciadores. A análise predominante aponta para uma mudança tática de Wilson Lima: a possibilidade real de o governador renunciar à disputa ao Senado para permanecer no cargo até o fim do mandato, utilizando todo o prestígio e a máquina pública estadual para eleger seu vice, Tadeu de Souza, como sucessor em 2026.
Essa movimentação é vista como uma resposta pragmática ao risco eleitoral. Pesquisas recentes indicam uma disputa ferrenha pelas vagas ao Senado, colocando Wilson Lima em uma posição de vulnerabilidade. Ao manter a “caneta” na mão, o governador preserva o controle orçamentário e a capacidade de entrega de obras, garantindo que Tadeu de Souza tenha o suporte necessário para percorrer o interior e a capital com a força do Estado, consolidando-se como um nome de continuidade e lealdade.
O clima de ruptura entre o governo e a prefeitura de Manaus também impulsiona essa estratégia. O grupo repercutiu com estranheza as recentes declarações de David Almeida, que, durante o lançamento de sua pré-candidatura, tentou vincular Tadeu de Souza a episódios de segurança pública e contratações polêmicas. O episódio em que um apoiador do prefeito proferiu ofensas contra o vice-governador foi interpretado pelos “Cobras da Direita” como um erro tático de David, que pode acabar vitimizando Tadeu e unindo a base governista em torno de sua defesa.
Para os membros do grupo — que, embora sigam a linha bolsonarista, mantêm independência nas escolhas locais —, a eleição de Tadeu de Souza representaria a criação de um “porto seguro” para Wilson Lima. Com um aliado fiel no comando do Amazonas a partir de 2027, Wilson poderia ocupar cargos estratégicos, como uma secretaria de primeira linha ou uma posição de destaque nacional, mantendo seu foro privilegiado e influência política enquanto prepara terreno para futuros desafios eleitorais em 2028 (para disputar a Prefeitura de Manaus) ou 2030.
Em suma, a leitura dos bastidores é que o embate direto e as acusações vindas da prefeitura forçaram Wilson Lima a priorizar a sucessão estadual. O uso da máquina pública e o fortalecimento da imagem técnica de Tadeu de Souza surgem como a cartada principal para neutralizar os ataques de David Almeida e garantir que o grupo político atualmente no poder não seja desmantelado após o pleito de 2026.





