
MANAUS – O cenário político e jurídico no Amazonas atingiu um ponto de alta tensão nesta quarta-feira (25). Enquanto o prefeito David Almeida (Avante) utilizou o palanque de sua pré-candidatura ao Governo do Estado para assegurar que ele e sua família “não devem nada à Justiça”, seus aliados mais próximos protagonizaram um recuo estratégico nos tribunais.
O discurso Político
Em um evento marcado pelo tom de enfrentamento, David Almeida buscou blindar sua imagem e a de seus parentes das investigações da Operação Erga Omnes. O prefeito classificou as suspeitas de elo entre a administração municipal e a facção criminosa Comando Vermelho como “perseguição política” e garantiu a integridade de seu círculo familiar e de gestão.
“Minha família e eu estamos de cabeça erguida. Não devemos nada e não tememos nenhuma investigação”, afirmou o prefeito em seu discurso.
A contradição nos autos
Apesar da segurança demonstrada no palanque, a movimentação jurídica do grupo seguiu um caminho preventivo. Na terça-feira (24), o vice-prefeito Renato Júnior, a primeira-dama Izabelle Fontenelle e as irmãs do prefeito e da primeira-dama protocolaram um pedido de habeas corpus preventivo no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
O recurso jurídico é utilizado especificamente quando há “fundado receio” de prisão ou medidas restritivas de liberdade. A iniciativa gerou desgaste imediato, sendo interpretada por opositores como um sinal de alerta e insegurança diante do avanço das investigações da Polícia Civil.
Recuo e estratégia
Menos de 24 horas após o protocolo, os requerentes apresentaram um pedido de desistência da ação. A juíza Ana Maria de Oliveira Diógenes homologou o pedido hoje (25), arquivando o caso sem analisar se havia ou não risco de prisão.
Analistas políticos avaliam a desistência como uma tentativa de controle de danos. Manter o habeas corpus ativo contradizia diretamente o discurso de “quem não deve, não teme” adotado por David Almeida, alimentando as manchetes da oposição no início da corrida eleitoral ao Governo do Estado.
O peso da operação
A Operação Erga Omnes investiga o suposto repasse de R$ 1,5 milhão de verbas públicas para o crime organizado através de empresas de fachada. Com a prisão de ex-assessores e o envolvimento de nomes da Comissão de Licitação, a gestão municipal tenta agora desvincular a figura do prefeito dos ilícitos apontados pela Polícia Civil, enquanto a pré-campanha avança sob a sombra das investigações.




