As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata mineira desde segunda-feira (23) deixaram, até a manhã desta quarta-feira (25), 36 mortos, sendo 30 em Juiz de Fora e seis em Ubá, segundo informações do Corpo de Bombeiros divulgadas pela Agência Brasil. Há ainda 33 pessoas desaparecidas na região. O total de vítimas resgatadas com vida chega a 208.
Enquanto o foco permanece nas buscas e na assistência às vítimas, especialistas chamam atenção para uma dimensão menos visível, mas igualmente relevante: o impacto psicológico provocado por desastres ambientais. Um levantamento nacional conduzido pelo Instituto Vita Alere, em parceria com o movimento Vertentes Ecossistema de Saúde Mental, mostra que 21,9% dos jovens brasileiros já vivenciaram eventos climáticos que resultaram em perda de casa, escola, trabalho ou necessidade de deslocamento. Entre eles, sentimentos como medo, tristeza e preocupação aparecem com maior frequência e intensidade.
No total, 65,3% afirmam estar mais preocupados e com medo do futuro por causa da crise climática, e 50,7% relatam sentir medo ao pensar nas mudanças ambientais.
De acordo com a cartilha “Quando o mundo preocupa: Saúde Mental, Clima e Juventudes”, desenvolvida pelo instituto, eventos extremos geram impactos diretos, como perdas materiais e deslocamento, e também efeitos indiretos ou vicários, relacionados à exposição contínua a relatos, imagens e incertezas.
Para a psicóloga, pesquisadora e fundadora do Instituto Vita Alere, Karen Scavacini, o impacto emocional não se restringe às vítimas diretas. “Os desastres climáticos produzem impactos diretos e indiretos na saúde mental. Não são apenas as perdas materiais que geram sofrimento. A exposição constante às notícias, a insegurança e o medo do futuro também afetam emocionalmente a população”, explica.
Após a fase emergencial, é comum que permaneçam sintomas como ansiedade, dificuldade para dormir, sensação de insegurança e preocupação recorrente com a possibilidade de novos eventos.
Em contextos como o da Zona da Mata mineira, especialistas defendem que a resposta a desastres climáticos não pode se limitar à reconstrução de casas e infraestrutura. O cuidado psicossocial precisa ser incorporado às políticas públicas desde a fase emergencial, considerando que os efeitos emocionais podem persistir mesmo após o fim das chuvas e das operações de resgate.
Sobre Instituto Vita Alere
O Instituto Vita Alere é uma organização nacional dedicada à promoção da saúde mental, com foco na convergência entre tecnologia, educação, pesquisa aplicada e cuidado emocional. Fundado em 2013 pela psicóloga e pesquisadora Karen Scavacini, o instituto desenvolve iniciativas como mapeamento de serviços, formação de profissionais, programas de educação emocional e consultorias para escolas, empresas e plataformas digitais, além de estudos em saúde digital e inteligência artificial.
Sobre Karen Scavacini
Karen Scavacini é psicóloga e pesquisadora, mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia) e doutora em Psicologia pela USP. Fundou em 2013 o Instituto Vita Alere, pioneiro em pós‑venção e saúde mental digital no Brasil. Representa o país na International Association for Suicide Prevention (IASP) e é fundadora da ABEPS. Sua atuação combina ambientes digitais, educação emocional e pesquisa aplicada em saúde mental.





