
A política amazonense é mestre em reviravoltas. O anúncio de Wilson Lima (União Brasil) nesta segunda-feira (2), confirmando que fica na cadeira de governador até o fim do mandato, não é apenas um gesto de “responsabilidade”. É, na verdade, o primeiro ato de uma estratégia ambiciosa para redesenhar o poder no Amazonas. Ao contrário do que previam os analistas de plantão, Wilson não está saindo de cena; ele está montando o tabuleiro para 2026.
Nos bastidores da ALEAM e do Palácio da Compensa, o burburinho é um só: o surgimento de uma dobradinha de peso. O plano seria lançar o vice-governador Tadeu de Souza (PP) para a sucessão estadual e o atual presidente da Assembleia, Roberto Cidade (União), para o Senado Federal.
Roberto Cidade chegaria com força avassaladora. Recordista histórico de votos para deputado estadual, Cidade detém o que muitos veteranos perderam: uma conexão direta e capilarizada com os prefeitos do interior. Se entrar na disputa com o apoio da máquina estadual, ele se torna o “trator” capaz de colocar em xeque figurões como Eduardo Braga e Plínio Valério.
Omar Aziz: O cruzeiro em mar calmo
Enquanto o grupo de Wilson se reorganiza e a oposição bate cabeça, o senador Omar Aziz (PSD) navega em águas tranquilíssimas. Isolado na liderança das principais pesquisas, Omar assiste de camarote ao desgaste dos adversários. Com uma base sólida e o controle de articulações chave em Brasília, o senador hoje é o único que parece ter o “bilhete premiado” para o segundo turno garantido, surfando na ausência de um nome de oposição que consiga, até agora, furar sua bolha de favoritismo.
O Isolamento de David Almeida
No lado oposto, quem mais sente o golpe é o prefeito de Manaus, David Almeida. Com uma rejeição que já beira os 60% em pesquisas recentes, David contava com a ascensão de Tadeu ao governo ainda este ano para garantir um aliado “com a caneta” em 2026. Agora, isolado politicamente e sem o fôlego da máquina estadual, o prefeito terá que enfrentar um paredão formado por Cidade e Tadeu, enquanto vê nomes como Maria do Carmo (PL) crescerem em seu retrovisor.
O Novo Cenário
A nova configuração muda o perfil da disputa. No Senado, Roberto Cidade traz a juventude e a estrutura do Legislativo para atropelar as velhas raposas. No Governo, Tadeu assume o papel de gestor blindado, contrastando com o desgaste administrativo que hoje assombra a prefeitura da capital, enquanto Omar Aziz permanece como o alvo principal a ser batido por quem conseguir sobreviver ao primeiro turno.
Ao decidir ficar, Wilson Lima não apenas garantiu sua segurança política até 2027; ele abriu espaço para uma renovação controlada. Se a dobradinha se confirmar, o governador sai de cena não como um político sem mandato, mas como o grande arquiteto de uma nova era no Amazonas. O jogo começou, e as peças de Wilson estão em posição de ataque.
Tudo pode mudar. Aqui, estamos apenas analisando os movimentos do tabuleiro.
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