Polícia confirma suicídio de ‘Sicário’ em prisão de MG

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais após ser alvo da Operação Compliance Zero.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o ‘Sicário’

A Polícia Federal confirmou na quarta-feira que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, cometeu suicídio na cela onde estava preso na Superintendência da PF em Minas Gerais. Ele havia sido detido durante a Operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado ao Banco Master.

No entanto, a Secretaria Estadual de Saúde de MG afirmou que não estava confirmada a morte de Luiz Philipe e disse que ele seguia em cuidados no CTI do Hospital João XXIII, segundo informações da TV Globo no jornal Hora Um.

Segundo a corporação, Mourão foi encontrado desacordado pelos agentes responsáveis pela custódia. Policiais iniciaram imediatamente procedimentos de reanimação e acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Morte cerebral

Por volta das 21h, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais informou que a morte ainda não estava confirmada e que Mourão permanecia internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI).

Cerca de 45 minutos depois, o Hospital João XXIII teria iniciado o protocolo para confirmação de morte cerebral, procedimento médico padrão nesses casos, mas o óbito não foi confirmado ainda pela secretaria de Saúde.

A defesa do investigado afirmou em nota que esteve com ele durante o dia, até aproximadamente 14h, e que naquele momento Mourão se encontrava em plena integridade física e mental.

Investigação interna

Segundo os advogados, a informação sobre o episódio foi conhecida apenas após a divulgação da nota oficial da Polícia Federal. A defesa informou ainda que acompanhava o caso no hospital enquanto aguardava confirmação oficial da morte.

A Polícia Federal informou que abrirá uma investigação interna para apurar as circunstâncias da morte. Imagens das câmeras de segurança da unidade serão encaminhadas ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mourão foi preso na Operação Compliance Zero, que também levou à detenção do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como líder da organização criminosa investigada.

De acordo com a Polícia Federal, Mourão tinha papel central no grupo e seria responsável por executar ordens relacionadas ao monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação.

Relatórios da investigação apontam que ele atuaria como uma espécie de executor das determinações atribuídas à organização, sendo descrito nos documentos como “longa manus”, expressão jurídica utilizada para indicar alguém que age em nome de outra pessoa.

O relatório também aponta indícios de que Mourão receberia cerca de R$ 1 milhão por mês como remuneração pelos serviços considerados ilícitos.

Conversas obtidas pela Polícia Federal mostram Mourão relatando que monitorava ex-funcionários e se oferecia para utilizar um grupo chamado de “A Turma” para intimidar pessoas ligadas ao caso.

Em um dos diálogos, aparece a orientação para levantar dados pessoais de um funcionário e de um chefe de cozinha, com a sugestão de intimidar um deles para pressionar o outro.

Também foram identificadas mensagens envolvendo o monitoramento do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, após a publicação de reportagens consideradas negativas. Nas conversas, há discussões sobre obter informações pessoais e até planejar uma agressão física.

Em nota, o diário conservador carioca O Globo afirmou repudiar “veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista”.

Defesa de Vorcaro

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro negou as acusações apresentadas pela investigação.

Segundo os advogados, o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e colaborou com as apurações desde o início, além de negar qualquer tentativa de obstrução das investigações ou da Justiça.

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