DA REDAÇÃO – Uma reportagem bombástica publicada pelo jornal O Globo neste sábado (7) coloca em xeque a justificativa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre supostas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo peritos e a análise técnica de softwares da Polícia Federal, o argumento usado pelo ministro para negar os diálogos contradiz a lógica de funcionamento das ferramentas de investigação digital.
O Nó na Versão Oficial
Moraes afirmou publicamente que não trocou mensagens com Vorcaro no dia da prisão do banqueiro. Para se defender, o ministro alegou que os prints das conversas estavam “vinculados a pastas de outras pessoas” no material enviado à CPI do INSS, sugerindo que os destinatários seriam terceiros (como o senador Irajá ou o político Antônio Rueda).
Entretanto, especialistas em perícia digital explicam que a organização dessas pastas não tem nada a ver com o destinatário das mensagens.
A “Lógica Cega” do Software da PF
De acordo com a perícia, o programa IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), utilizado pela Polícia Federal, organiza os arquivos de forma automática através de um algoritmo matemático chamado Hash:
Assinatura Digital: Cada arquivo extraído recebe um código único (letras e números).
Pastas Aleatórias: O software cria subpastas baseadas nos dois primeiros caracteres desse código.
Coincidência Técnica: Se o contato de um político e um print de mensagem estão na mesma pasta, é apenas porque seus códigos “Hash” começam com as mesmas letras, e não porque houve interação entre eles.
O que diz a investigação d’O Globo
Diferente do material da CPI, o jornal teve acesso a uma extração especializada que reverte o recurso de “visualização única” do WhatsApp. Segundo a reportagem:
Identificação Direta: No material periciado, constam o nome e o número de telefone de Alexandre de Moraes como destinatário das mensagens.
Checagem: O número foi conferido e confirmado como pertencente ao ministro à época dos fatos.
Prints de Notas: Vorcaro escrevia em seu bloco de notas e enviava capturas de tela para evitar o rastro de texto direto no aplicativo.
Bastidores e Reações
Enquanto o ministro nega qualquer contato, outros nomes cujos contatos apareceram nas pastas do IPED — como o senador Irajá Abreu e Antônio Rueda — também negaram categoricamente ter recebido qualquer mensagem de Vorcaro, reforçando que a presença dos nomes nas pastas é meramente um padrão técnico do software da PF.
Recentemente, informações de bastidores indicam que o ministro chegou a trocar o número de seu aparelho celular após o vazamento das primeiras informações sobre o caso.
Fonte: Com informações de O Globo (Dimitrius Dantas e Luísa Marzullo)
Foto: Montagem Revista Oeste.





