Trabalho em equipe e aprendizado marcam participação dos estudantes no Festival SESI de Educação 2026
Entre desafios técnicos, noites de preparação e cooperação entre equipes, estudantes do Amazonas aprovaram a experiência no Festival SESI de Educação 2026 nos dias 4 a 8 na Bienal do Parque Ibirapuera, em São Paulo. Como frutos das provas, os participantes citam o espírito de superação, o trabalho em equipe e os aprendizados que a robótica proporciona dentro e fora da sala de aula.
O evento reuniu centenas de estudantes de todo o Brasil em quatro modalidades de tecnologia e engenharia: FIRST® LEGO® League (FLL), FIRST® Tech Challenge (FTC), FIRST® Robotics Competition (FRC) e F1 in Schools – STEM Racing. No Amazonas, a robótica faz parte da formação dos alunos do SESI, integrada à grade curricular, ampliando o acesso à educação tecnológica desde cedo.
Lucas Costa dos Santos, de 16 anos, compôs a equipe Prodixy, da Escola SESI de Referência Dra. Emina B. Mustafa, na modalidade FRC, após quatro anos de espera. “Desde quando eu participava da FLL eu sonhava muito com isso. Se eu pudesse resumir a experiência em uma palavra, seria: inesquecível”, afirmou.
De acordo com o aluno, o torneio é uma oportunidade de trocar experiências com equipes de outras regiões e mostrar o potencial da robótica desenvolvida no Norte do país. “Uma das nossas missões é fazer as equipes conhecerem a Prodixy, de Manaus, de longe, que passa dificuldades e mesmo assim não desiste”, disse.
Desafios e superação na arena
A temporada foi marcada por desafios técnicos para os amazonenses. A equipe Prodixy enfrentou um dos momentos mais críticos pouco antes das partidas iniciais da FRC, quando o robô foi verificado com tamanho fora do padrão. A solução exigiu mudanças imediatas e radicais: cortar estruturas metálicas, reduzir partes de madeira do suporte e até retirar componentes importantes, como as câmeras sensoriais que auxiliavam nas missões do robô.
Mesmo com os ajustes de última hora, os estudantes decidiram seguir na competição. O aluno Rainer Melo de Andrade, de 17 anos, explicou que a equipe remontou o robô várias vezes no torneio. “Das nove partidas, acho que remontamos o robô cinco vezes, mas conseguimos superar todos esses desafios”, relatou. “O maior aprendizado foi trabalhar em equipe. A gente se tornou mais unido e conseguiu fazer muito mais coisas juntos”, destacou.
Prêmio para o espírito colaborativo
A equipe apadrinhada pelo SESI Amazonas, a Liga do Ovomaltine, do 1º Colégio da Polícia Militar de Manaus (1º CMPM), recebeu o Prêmio Parceria (Partnership Award), na modalidade FLL, concedido a equipes que demonstram cooperação e apoio entre os competidores.
Durante o evento, os integrantes ajudaram outras equipes em momentos críticos, inclusive emprestando peças quando um robô apresentou falhas. “Uma das coisas mais gratificantes foi quando estávamos torcendo por outra equipe e o motor dela parou.
A reação de todo mundo foi correr para pegar outro para ajudar. Isso mostra como a robótica nos muda como pessoas”, afirmou o técnico Ismael Freire, ao comentar o significado do prêmio.
Robótica muda vidas
O impacto da robótica na formação dos estudantes também ficou evidente nas histórias compartilhadas no festival, a exemplo do aluno da Escola SESI de Referência Dra. Emina B. Mustafa, Igor José, da equipe Apoema na modalidade STEM Racing. Competidor pelo 6º ano consecutivo, encerra um ciclo no ensino médio, mas pretende levar o aprendizado para a vida.
“O foco e o esforço são o que mantêm a equipe organizada e fazem o trabalho acontecer. Aprendi a me comunicar em público, a ter responsabilidade e a me organizar melhor”, disse. “A robótica abriu muitas portas para mim. Depois dessas experiências, quero cursar engenharia mecânica”, anunciou.
Reconhecimento individual
O SESI Amazonas garantiu reconhecimentos individuais. O aluno Guilherme Albuquerque, 17 anos, da equipe Prodixy, da modalidade FRC, recebeu o botão Safety All Star, concedido a participantes que promovem boas práticas de segurança durante as atividades. “Sempre lembro o pessoal de usar os equipamentos de proteção. Segurança é muito importante, tanto na robótica quanto dentro de uma empresa”, afirmou Albuquerque.
A estudante Alicia Beckman também fez jus ao botton “You Inspire Me”, entregue a participantes que inspiram colegas durante a competição.
Da sala de aula para mentoria
Erick Nava, atualmente técnico da equipe Prodixy, é ex-aluno do SESI. Começou na robótica em 2016 e participou das principais categorias da FIRST antes de retornar à escola como educador.
“Passei pela FLL, pela FTC e FRC. Depois de me formar, voltar como técnico é uma experiência em que posso ajudar os alunos a viver tudo isso também”, afirmou. “São muitos desafios. A gente quer continuar fortalecendo a robótica no estado e voltar ainda mais forte nas próximas temporadas”.
Legado além competição
Para a gestora da Escola SESI Dra. Emina Barbosa Mustafa, Ana Karina, o principal legado da experiência, que se encerrou no domingo (8), está na formação humana dos participantes. “Cada um que veio para esse torneio sai daqui diferente”, apontou. Para ela, a iniciativa reforçou que, na arena da robótica, inovação e conhecimento caminham lado a lado com valores como cooperação, resiliência e trabalho em equipe — aprendizados que os estudantes levarão para toda a vida.





