
Uma nova meta-análise publicada no Journal of Human Nutrition and Dietetics revela que o consumo excessivo de bebidas açucaradas pode elevar significativamente o risco de transtornos de ansiedade entre jovens de 10 a 19 anos. Pesquisadores do Reino Unido revisaram diversos estudos realizados entre 2000 e 2025 para investigar a relação entre a ingestão de refrigerantes, energéticos, sucos e cafés adoçados e a saúde mental dessa faixa etária.
Os dados apontam que adolescentes com maior consumo dessas bebidas apresentam um risco cerca de 34% superior de desenvolver sintomas de ansiedade em comparação com aqueles que consomem menos açúcar líquido. A Dra. Chloe Casey, coautora do estudo e professora da Universidade de Bournemouth, destaca que, embora as iniciativas de saúde pública enfatizem consequências físicas como obesidade e diabetes tipo 2, as implicações da dieta para a saúde mental têm sido pouco exploradas.
A pesquisa utilizou dados observacionais que identificam uma ligação preocupante, embora não comprovem causalidade direta. No entanto, especialistas alertam para o mecanismo biológico envolvido no processo. Segundo a nutricionista Ilana Muhlstein, o açúcar líquido é absorvido rapidamente pela corrente sanguínea por não conter fibras ou proteínas. Esse processo força o pâncreas a liberar altas doses de insulina, causando uma queda drástica na glicemia que mimetiza fisicamente o estado de ansiedade.
Especialistas observam ainda uma mudança no comportamento de consumo dos jovens. Em vez de refrigerantes tradicionais, muitos adolescentes têm optado por bebidas de café gourmet carregadas de xaropes, além de bebidas esportivas e opções com leite de aveia que possuem alto índice glicêmico. Esses picos de açúcar no sangue podem afetar não apenas o humor, mas também o peso, a saúde da pele e a qualidade do sono.
Como estratégia de mitigação, especialistas recomendam que pais incentivem a hidratação com água e chás naturais. A orientação principal para estabilizar os níveis de energia e o bem-estar emocional é priorizar refeições equilibradas que contenham fibras e proteínas, substâncias fundamentais para evitar as oscilações bruscas de glicose que impactam o sistema nervoso durante a adolescência.




