Enquanto o cidadão amazonense luta para colocar comida na mesa e enfrenta filas intermináveis na saúde, o dinheiro público parece brotar de forma generosa para alguns “escolhidos”. O Portal Chumbo Grosso traz de volta à luz um dos episódios mais nebulosos da gestão Wilson Lima: a desapropriação de um terreno na Avenida Grande Circular pelo valor astronômico de R$ 41.212.815,20.
O PULO DO GATO: DE R$ 5 MILHÕES PARA R$ 41 MILHÕES
Os fatos são públicos e constam no Portal da Transparência. O pagamento, realizado via Suhab-AM e Secretaria das Cidades (Sect), utilizou recursos do FTI (Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização) — dinheiro que deveria estar desenvolvendo o interior, mas que foi parar na conta da Construtora J.E. Arduíno Ltda.
Especialistas do mercado imobiliário são unânimes: a área, localizada no bairro Amazonino Mendes, zona leste de Manaus, não passaria de R$ 7 milhões em uma negociação de mercado. Onde foram parar os outros R$ 34 milhões de sobrepreço?
OS PERSONAGENS DO ENREDO
A investigação aponta para nomes que o governo evita pronunciar:
- José Edgard Arduíno: Sócio-administrador da construtora que, curiosamente, tem sede registrada em um apartamento residencial no Vieiralves. Como uma empresa de “apartamento” transaciona R$ 41 milhões com o Estado?
- João Coelho Braga (“Braguinha”): O então diretor da Suhab que autorizou a manobra.
- O “GT do Silêncio”: A denúncia aponta a existência de um Grupo de Trabalho formado por comissionados com altos salários, focados exclusivamente em agilizar essas desapropriações milionárias “vapt-vupt”.
O SEPULTAMENTO DA PAUTA
A fiscalização deste escândalo sofreu um golpe mortal com a saída do ex-deputado Dermilson Chagas da Assembleia Legislativa do Amazonas. Enquanto detinha mandato, Dermilson foi a voz solitária que gritou contra este absurdo, protocolando denúncias e exigindo explicações. Com a sua saída, o processo caiu no mais profundo esquecimento nos corredores da ALEAM. O que antes era um clamor por justiça e transparência, hoje é um silêncio obsequioso. O governo agora aproveita esse “vácuo” de fiscalização para tentar limpar a imagem da transação, empacotando o terreno no programa Amazonas Meu Lar. A estratégia é clara: entregar casas para calar as críticas sobre o superfaturamento e torcer para que ninguém mais lembre dos R$ 41 milhões.
NOSSOS QUESTIONAMENTOS (TRANSPARÊNCIA TOTAL)
O Chumbo Grosso não faz acusação sem prova; nós lemos o que o próprio governo publica. Diante desse cenário, perguntamos:
- Qual foi o critério técnico para o laudo de avaliação que ignorou o valor de mercado?
- Por que o pagamento foi feito à vista, com tamanha urgência, em um período pré-eleitoral?
- Por que a ALEAM parou de cobrar explicações sobre este caso específico?
ESPAÇO ABERTO: O Portal Chumbo Grosso preza pela ética jornalística. Caso o Governador Wilson Lima, a direção da Suhab ou os representantes da Construtora J.E. Arduíno queiram se manifestar sobre os valores e a transparência desta operação, nosso espaço está integralmente aberto para o contraditório. O povo do Amazonas merece saber por que o seu dinheiro vale tanto na mão de poucos e tão pouco na mão de muitos.





