Polícia Federal investiga major da PM-AM detido com R$ 1,15 milhão em São Paulo

Oficial já ocupou cargo de alto escalão na Segurança Pública do Amazonas e foi pivô de polêmica envolvendo "pirataria" no interior em 2022.

Major Douglas Araújo Moura, da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM)

SÃO PAULO – A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar a origem de R$ 1,15 milhão em espécie apreendidos com o major Douglas Araújo Moura, da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM). A detenção ocorreu na última terça-feira (17), na capital paulista, durante uma abordagem do 1º Batalhão de Policiamento de Choque (ROTA).

A dinâmica da apreensão

A ocorrência teve início no bairro Campos Elíseos, onde os policiais abordaram inicialmente Tiago Viana Melo portando R$ 400 mil em uma mochila. O desdobramento da ação levou a equipe até a Avenida Angélica, onde localizaram o major Douglas Moura em um veículo Volkswagen Virtus, acompanhado de Dalton de Lima Carvalho. No interior do automóvel, foram encontrados outros R$ 750 mil, além de celulares e cadernetas com anotações financeiras.

Segundo o boletim de ocorrência, os envolvidos apresentaram justificativas contraditórias sobre a procedência do dinheiro, o que motivou o encaminhamento do caso à Superintendência Regional da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro.

Status funcional e remuneração

Douglas Araújo Moura é oficial da ativa da Polícia Militar do Amazonas. Atualmente, ele não ocupa cargos de confiança no primeiro escalão do Governo do Estado, estando lotado na estrutura administrativa da corporação. Conforme dados de fevereiro de 2026 do Portal da Transparência, o major possui um rendimento bruto mensal de aproximadamente R$ 35,8 mil. O montante apreendido em São Paulo equivale a mais de 30 vezes o seu salário bruto atual.

Histórico e controvérsias

O major já ocupou funções estratégicas na segurança pública amazonense. Em 2022, atuou como Secretário Executivo Adjunto de Operações Integradas (Seaop), posto responsável pela coordenação de operações táticas no estado. Naquele ano, foi exonerado após assinar a autorização de deslocamento de policiais militares que acabaram presos no município de Maraã, sob suspeita de pirataria nos rios da região. Em 2023, o oficial também foi alvo de mandados de busca e apreensão em investigações que miravam a cúpula da Secretaria de Segurança Pública.

Providências

Até o momento, a Polícia Militar do Amazonas não detalhou se o oficial estava em São Paulo em missão oficial, de férias ou em período de licença. A defesa do major Douglas Moura e dos demais envolvidos ainda não se manifestou publicamente sobre as investigações ou sobre a origem dos valores apreendidos pela ROTA.

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