
A Polícia Civil do Amazonas encerrou uma etapa crucial das investigações sobre a morte do pequeno Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida em novembro do ano passado em Manaus. Segundo o inquérito conduzido pelo 24º DIP, a médica Juliana Brasil encomendou e pagou pela adulteração de um vídeo para tentar sustentar a tese de que o erro na aplicação de adrenalina teria sido causado por uma falha no sistema do Hospital Santa Júlia.
As perícias confirmaram que o conteúdo apresentado pela defesa foi manipulado. Mensagens extraídas do celular da médica revelam que, apenas três dias após a morte da criança, ela já articulava com colegas a criação de um vídeo fake que simulasse instabilidades no software hospitalar.
Em um dos áudios mais comprometedores, Juliana afirma: “Amanhã vai chegar o vídeo pra mim, já alterado”. Para o delegado Marcelo Martins, a tentativa de enganar a Justiça é uma prova contundente de má-fé e reforça a tese de dolo eventual — quando se assume o risco de produzir o resultado morte.
Outro ponto alarmante revelado pela investigação é que, enquanto Benício lutava pela vida na “Sala Vermelha” após sofrer múltiplas paradas cardíacas, a médica utilizava o celular para negociar a venda de produtos de beleza.
“O fato de a médica estar vendendo cosméticos enquanto a vítima estava em overdose de adrenalina denota indiferença com a vida, caracterizando homicídio qualificado doloso”, destacou o delegado.
Resumo do Caso: O que se sabe até agora
- O Erro Fatal: A polícia aponta que a via (intravenosa) e a dosagem de adrenalina prescritas eram inadequadas para o quadro clínico de Benício.
- As Investigadas: Além de Juliana Brasil, a técnica de enfermagem Raiza Bentes, que administrou a medicação sem questionar a dosagem, é alvo do inquérito. Ambas estão afastadas das funções por 12 meses por decisão judicial.
- A Versão da Defesa: A defesa de Juliana nega o pagamento pela edição e insiste que o vídeo é íntegro, alegando que o erro partiu de uma falha automática do sistema do hospital.
- Responsabilidade Hospitalar: O Hospital Santa Júlia também é investigado. O fundador da unidade, Édson Sarkis, afirmou em depoimento que o hospital possui protocolos de dupla checagem que não teriam sido acionados pela equipe no plantão.
O caso segue sob análise do Poder Judiciário, com o inquérito avançando para a fase de indiciamentos formais por homicídio qualificado.
Médica formada em 2019 pela Nilton Lins responderá em liberdade por morte de menino em Manaus




