É inegável que o vereador e comunicador Rodrigo Salazar conquistou relevância no cenário amazonense ao pautar denúncias contundentes contra a gestão de Wilson Lima. Suas redes sociais tornaram-se um palanque digital onde o descaso e a má gestão são expostos diariamente. No entanto, em meio ao barulho das denúncias, um silêncio ensurdecedor começa a chamar a atenção de quem acompanha os bastidores do poder: a participação direta de seu partido, o PL, na estrutura do Governo do Estado.
O jornalismo investigativo e a fiscalização pública exigem, acima de tudo, coerência. Não se pode apontar o dedo para o gabinete do governador enquanto se fecha os olhos para as secretarias que estão sob o comando da própria legenda.
A contradição dos números e das cadeiras
O PL Amazonas não é um espectador na gestão estadual; ele é parte integrante da engrenagem. Ocupar secretarias e cargos estratégicos significa ter responsabilidade direta sobre a execução de orçamentos e políticas públicas. Ao poupar essas áreas de sua costumeira lupa crítica, Salazar levanta uma dúvida legítima no eleitorado: a fiscalização é, de fato, em prol do cidadão ou é uma ferramenta seletiva de desgaste político?
Perguntas que precisam de respostas
Para que o discurso de “fiscal do povo” se mantenha íntegro, algumas questões precisam ser respondidas de forma transparente:
Isenção: Como manter a independência para denunciar o Governo se o seu próprio partido é beneficiário de cargos e espaços na administração de Wilson Lima?
Fiscalização seletiva: Existem irregularidades nas secretarias comandadas pelo PL ou essas pastas são, por milagre, as únicas imunes aos problemas que assolam o restante do estado?
Compromisso: O compromisso do parlamentar é com a transparência pública universal ou apenas com as pautas que não geram desconforto dentro do próprio ninho partidário?
A política amazonense é mestre em criar narrativas de oposição que, na prática, convivem harmoniosamente com as benesses do poder. Se Salazar deseja manter a credibilidade que o alçou ao posto de voz crítica, precisará romper o silêncio sobre os seus. Afinal, transparência pela metade nada mais é do que conveniência.
Perguntas senhor Salazar.
Vereador, o senhor é uma das vozes mais críticas ao Governo Wilson Lima. Como o senhor concilia essa postura com o fato de o seu partido, o PL, gerir secretarias e orçamentos dentro dessa mesma administração? O PL é cúmplice do que o senhor denuncia ou o senhor está denunciando o seu próprio partido?
Em suas redes sociais, vemos denúncias constantes sobre diversas pastas. No entanto, há um vácuo de informações sobre as secretarias controladas pelo PL. O senhor já realizou alguma fiscalização de contratos, aditivos ou processos licitatórios nas pastas sob o comando da sua legenda com o mesmo rigor que aplica às outras?
Caso o senhor encontre uma irregularidade grave em uma secretaria comandada por um correligionário do PL, o senhor a levaria ao Ministério Público com o mesmo empenho que faz com os outros secretários, ou a política partidária se sobrepõe ao dever de fiscalizar?
Ocupar cargos no primeiro escalão do Governo costuma exigir fidelidade nas votações da Assembleia e da Câmara. Como o senhor garante ao seu eleitor que o seu ‘silêncio’ sobre as fatias do PL no Governo não é, na verdade, parte de um acordo de governabilidade que o senhor tanto critica em outros políticos?
Se o Governo Wilson Lima é, como o senhor descreve, tão prejudicial ao Amazonas, por que o senhor não defende formalmente a saída imediata do PL da base governista e a entrega de todos os cargos e secretarias?
Texto e perguntas: Ronaldo Aleixo.





