ATENÇÃO GOVERNO INTERINO: Mesmo investigado por carregar R$ 1,1 milhão, Major da PM-AM continua recebendo salário de R$ 35 mil e SSP continua em silêncio.

Veja com exclusividade como está o processo na esfera federal.

Major Douglas Araújo Moura, da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM)

MANAUS (AM) – O caso do Major Victor Douglas Targino de Araujo Moura ganha contornos de indignação para o contribuinte amazonense. Enquanto a Polícia Federal aprofunda as investigações sobre a origem de uma fortuna em dinheiro vivo, um detalhe da legislação e o silêncio da cúpula da segurança pública garantem que o oficial continue com seus vencimentos praticamente intactos.

A Farra do Salário: R$ 35 mil na conta

Mesmo afastado das funções após o flagrante da ROTA em São Paulo, o Major Douglas Moura segue amparado pelo estatuto dos militares. Dados do Portal da Transparência revelam que o oficial possui rendimentos brutos que chegam a R$ 35.800,00.

Pelas regras vigentes, o militar afastado preventivamente para responder a inquéritos mantém o direito ao seu soldo integral. A perda total dos vencimentos só ocorre em casos de expulsão definitiva da corporação ou sentença penal condenatória após o fim de todos os recursos. Na prática, o oficial investigado por lavagem de dinheiro e descaminho continua a custar caro aos cofres do Estado enquanto o processo tramita.

Investigação Blindada em Mato Grosso do Sul

O processo nº 5000198-52.2026.4.03.6003 segue a passos largos na 3ª Vara Federal de Campo Grande (MS). No dia 23 de março de 2026, a Justiça Federal deferiu a dilação de prazo, dando fôlego para a Polícia Federal concluir as perícias mais sensíveis:

  • As “Cadernetas do Milhão”: A PF rastreia os nomes e valores anotados nos cadernos apreendidos com o Major. A suspeita é que os manuscritos revelem uma rede de favorecimento ou pagamento de propinas.
  • Conexão de Fronteira: O fato de o caso estar no Mato Grosso do Sul reforça a tese de que o montante de R$ 1,15 milhão tem origem ou destino ligado a rotas internacionais de contrabando.

O Silêncio Ensurdecedor da SSP-AM

Até o fechamento desta reportagem, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) não emitiu uma única nota oficial sobre o caso. Não há informações sobre a abertura de um Conselho de Justificação — o tribunal de honra para oficiais — ou sobre medidas administrativas rigorosas.

O silêncio é interpretado por especialistas como uma “blindagem institucional”, dado o histórico do Major, que já ocupou a cadeira de Secretário Executivo Adjunto de Operações (SEAOP), um dos cargos mais influentes da pasta.

O que esperar agora?

Com o prazo estendido para a Polícia Federal, o próximo grande movimento será o relatório final do inquérito. Se o Ministério Público Federal (MPF) oferecer a denúncia e a Justiça aceitar, o Major passará de investigado a réu oficial. Somente após uma condenação definitiva ou a conclusão de um processo administrativo de expulsão é que o fluxo de dinheiro público para o bolso do oficial poderá ser interrompido.

 

O Portal Chumbo Grosso não vai recuar. Continuaremos cobrando respostas da SSP-AM e acompanhando cada movimentação do processo em Campo Grande. Onde tem chumbo grosso, tem a verdade.

Detalhe do Processo · Processo Judicial Eletrônico - TRF3 - 1º Grau

Justiça Federal avança, Amazonas recua

O silêncio da SSP-AM e do Comando Geral da PMAM diante de um flagrante de tamanha magnitude levanta questionamentos sobre a transparência nas instituições de segurança do Amazonas. Enquanto o oficial segue recebendo seus vencimentos e a Justiça Federal de Mato Grosso do Sul aprofunda as investigações, a sociedade amazonense aguarda uma resposta clara: haverá punição administrativa ou o corporativismo falará mais alto? O Portal Chumbo Grosso continuará vigilante, acompanhando cada passo do processo nº 5000198-52.2026.4.03.6003 e cobrando o rigor que o caso exige.

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